Direto da redação
O setor varejista brasileiro passa por uma transformação profunda em seu modelo de negócios tradicional. Desde o final de 2022, cinco das principais redes do país — Casas Bahia, Americanas, Carrefour, Marisa e Magazine Luiza — reduziram em mais de 1,1 mil o número total de lojas físicas.
A reestruturação mais expressiva ocorreu na rede Casas Bahia, que reduziu cerca de 400 pontos de venda em seu plano de reorganização operacional. Com dívidas bilionárias submetidas ao processo de recuperação judicial, a empresa passou a priorizar a eficiência financeira e a geração de caixa em detrimento da expansão geográfica. Movimento semelhante foi registrado na Americanas, que encerrou as atividades em 333 unidades para focar a operação nos pontos de maior rentabilidade.
Adequação de redes e fechamento de pontos emblemáticos
No grupo Carrefour, o fechamento e a conversão de 203 unidades acompanharam a integração dos ativos do Grupo BIG no país. A rede Marisa também encerrou 104 pontos de venda para construir uma estrutura menor e financeiramente sustentável, encerrando inclusive operações tradicionais localizadas na Avenida Paulista. Já o Magazine Luiza reduziu 93 lojas no período de disciplina financeira, mas sinaliza a retomada gradual de inaugurações no segundo semestre após registrar crescimento nas vendas físicas.
A necessidade de corte de despesas fixas com aluguéis, pessoal e estoques tornou-se prioridade para manter a saúde financeira das companhias. Especialistas do setor apontam que a desativação de unidades deficitárias representa uma medida técnica de eficiência, mas ressaltam que a estratégia não resolve isoladamente os desafios de margens baixas e endividamento. O cenário exige redefinições constantes no modelo de atendimento e na integração entre o físico e o digital.
Expansão do e-commerce e concorrência de plataformas globais
O comércio eletrônico brasileiro movimentou R$ 423 bilhões em 2025, impulsionado pela consolidação dos marketplaces e pelo avanço das vendas via telas. A liderança do setor online é ocupada por plataformas internacionais e nativas digitais como Mercado Livre, Shopee e Amazon, que juntas concentram grande parte das transações do varejo digital.
