Direto da redação
O julgamento do ex-policial federal Ronaldo Massuia Silva foi suspenso na tarde desta quinta-feira (10) no Tribunal do Júri de Curitiba após o réu tentar tirar a própria vida dentro de uma cela do fórum. O acusado aguardava o fim do depoimento da última testemunha de acusação no local, situado próximo ao plenário. Diante da ocorrência emergencial, a juíza presidente da sessão, Mychelle Pacheco Cintra, determinou a dissolução do Conselho de Sentença.
Massuia responde pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e por sete tentativas de homicídio triplamente qualificado. Ele é acusado de ter efetuado disparos de arma de fogo dentro da loja de conveniência de um posto de combustíveis no bairro Cristo Rei, em maio de 2022. O ataque resultou na morte do fotógrafo André Munir Fritoli, de 32 anos, e deixou outras sete pessoas feridas. O ex-agente permanece preso preventivamente desde a data dos fatos.
Advogado de defesa presenciou o ato e acionou socorro médico no plenário
A situação foi percebida por volta das 15h50 pelo advogado de defesa Heitor Luiz Bender, que se dirigia ao banheiro e encontrou o réu utilizando uma peça de roupa para atentar contra a própria vida. O defensor ingressou no plenário para alertar as autoridades policiais e exigir socorro imediato. Agentes policiais e a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atenderam Massuia, que foi encaminhado ao Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais.
Em nota oficial, a banca de defesa de Massuia rebateu especulações e repudiou qualquer insinuação de que o ato tenha sido uma simulação para paralisar a sessão. Do outro lado, a assistência de acusação, composta pela família do fotógrafo André, informou que o anúncio do incidente gerou momento de pânico entre os presentes no tribunal, rememorando o trauma do ataque de 2022.
Provas colhidas permanecem preservadas e inquérito apurará a segurança na custódia
Apesar da interrupção e da dissolução do júri atual, todas as provas e depoimentos já colhidos na primeira etapa do julgamento foram formalmente preservados pelo Poder Judiciário. A Polícia Civil instaurou inquérito policial para apurar as circunstâncias da custódia do réu e a segurança das dependências do fórum. Por recomendação magistrada, o ex-policial permanecerá isolado de outros detentos no CMP para submeter-se a avaliações psicológicas e médicas.
