As estratégias de controle epidemiológico e vigilância sanitária da capital paranaense estão prestes a ganhar um robusto reforço biotecnológico de ponta. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Curitiba deu início a um amplo cronograma de orientação, vistorias e diálogo com moradores, comerciantes e a rede de ensino do bairro Sítio Cercado. A mobilização comunitária prepara o terreno para a introdução do Método Wolbachia, uma tecnologia inovadora voltada ao combate em larga escala dos vírus da dengue, zika e chikungunya.
O mecanismo dos “wolbitos” e acasalamento genético
Dando luz aos detalhes, o plano de ação prevê o início da soltura programada dos chamados “wolbitos” mosquitos Aedes aegypti que carregam artificialmente a bactéria Wolbachia para o encerramento do mês de julho. Este microrganismo, completamente inofensivo para os seres humanos e para o meio ambiente local, atua bloqueando internamente a capacidade de o inseto replicar e transmitir os vírus das arboviroses. Ao serem liberados no ecossistema urbano, os wolbitos acasalam com a população nativa de mosquitos, transmitindo de forma hereditária a bactéria para todas as gerações seguintes.
A escolha do Sítio Cercado servirá como um laboratório técnico-científico sob o monitoramento do coordenador de Saúde Ambiental da SMS, Juliano Ribeiro. O programa utilizará duas frentes de dispersão biológica de forma simultânea: a liberação de ovos em dispositivos de monitoramento e a soltura de espécimes adultos na atmosfera. A modelagem experimental terá uma duração estimada de 26 semanas e servirá para comparar o desempenho de fixação da bactéria dentro de um mesmo território geográfico, gerando relatórios de engenharia sanitária para futuras expansões em Curitiba.
A viabilização da tecnologia na cidade é fruto de uma cooperação técnica firmada na Smart City Expo entre a municipalidade e a empresa Wolbito do Brasil uma união do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), Fiocruz Paraná e o World Mosquito Program (WMP). Instalada no município, a empresa opera a maior biofábrica de mosquitos com Wolbachia do planeta. O projeto conta com o suporte financeiro do programa Tecnoparque da Prefeitura de Curitiba, que reduz a alíquota de ISS de 5% para 2% para atrair indústrias de inovação e inteligência científica.
A secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, pontuou que a medida tática visa blindar Curitiba contra o avanço das doenças, especialmente diante das previsões climáticas de alta pluviosidade trazidas pelo fenômeno El Niño. O município já contabiliza reduções na casa de 94% nos registros epidemiológicos em relação aos ciclos anteriores, e a barreira biológica complementar deve consolidar o indicador. Os agentes de combate às endemias do Distrito Sanitário Bairro Novo seguem realizando as visitas domiciliares de conscientização na localidade para esclarecer dúvidas da população.
