O mês de Setembro Verde é dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos, um gesto que tem o poder de transformar a dor da perda em esperança de vida para dezenas de pacientes. No Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba, que realiza atendimento 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS), esse trabalho ganha rosto e emoção através de histórias de solidariedade e do suporte humanizado prestado às famílias.
Quando Michele Costa, de 43 anos, perdeu o pai, Carlos Antônio Costa, de 66 anos, após um AVC, a família precisou tomar uma das decisões mais difíceis da vida em meio ao luto. A resposta veio das lembranças da generosidade que sempre guiou a trajetória de Carlos. “Num momento de muita dor, nós vimos uma possibilidade de encontrar esperança, pois o meu pai gostava de estar sempre ajudando o próximo. E nesse momento nós pensamos que, antes de partir, ele ainda estava fazendo mais um gesto de generosidade”, relata Michele. O processo inspirou a professora e cantora a compor a música Legado do Amor, transformando a saudade em uma forma de perpetuar a bondade do pai.
O papel fundamental da CIHDOTT
Por trás de cada ato de solidariedade existe uma rede estruturada de profissionais. No Hospital Universitário Cajuru, essa missão é conduzida pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT).
A atuação da equipe começa na busca ativa por potenciais doadores nas unidades de terapia intensiva, emergência e centro cirúrgico, além do acompanhamento rigoroso dos protocolos de diagnóstico de morte encefálica caracterizada pela perda completa e irreversível das funções do cérebro.
A enfermeira Lucimar Sampaio, coordenadora da CIHDOTT, explica que o trabalho vai muito além da parte técnica: “A CIHDOTT é responsável por organizar e acompanhar o processo de doação dentro do hospital. Além de identificar potenciais doadores, acompanhamos o protocolo de morte encefálica, acolhemos a família e fazemos a articulação com a Central de Transplantes e as equipes envolvidas na captação”. No Brasil, a retirada de órgãos só ocorre mediante autorização familiar, tornando a etapa de acolhimento e esclarecimento de dúvidas essencial.
Estatísticas e o impacto da conversa em vida
Os dados da instituição refletem a sensibilidade desse processo. Em 2025, o hospital registrou 40 notificações de potenciais doadores, resultando em 29 autorizações familiares e uma taxa de conversão de 85%. Já em 2026, foram contabilizadas 27 notificações e 14 autorizações até o momento, alcançando uma conversão de 64%.
Para a costureira Aparecida Nunes de Lima, de 67 anos, que autorizou a doação dos órgãos do filho Juan, o apoio humanizado foi determinante: “O acolhimento foi maravilhoso. Humano, amoroso, seguraram nas nossas mãos e nos acolheram. Tiraram nossas dúvidas e nos deram a segurança necessária para dizer sim”.
Especialistas reforçam que conversar sobre o desejo de ser doador em vida com os familiares facilita imensamente a decisão em momentos de dor.
Missa em homenagem aos doadores
Como parte das mobilizações do Setembro Verde, o Hospital Universitário Cajuru realizará no dia 25 de setembro, às 12 horas, uma missa em homenagem aos doadores de órgãos e seus familiares. A celebração acontecerá no jardim da instituição como um momento de reconhecimento e gratidão a quem escolheu deixar um legado de vida.
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