Direto da redação
Em uma decisão sem precedentes na história republicana moderna do Brasil, o Plenário do Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira (29), a indicação de Jorge Rodrigo Araújo Messias para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Por 42 votos contrários a 34 favoráveis, o atual advogado-geral da União não obteve o apoio mínimo necessário de 41 senadores para assumir a cadeira na Corte.
Primeira rejeição em 132 anos
O resultado da votação marca um capítulo raro na política brasileira. O Portal PRMais apurou que esta é a primeira vez em 132 anos que o Senado derruba um nome indicado pela Presidência da República para o STF. As únicas rejeições registradas anteriormente ocorreram em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto, logo após a Proclamação da República.
Jorge Messias havia sido indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, que se aposentou antecipadamente em outubro de 2025. Embora tivesse passado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com um placar apertado de 16 a 11, o nome enfrentou forte resistência no Plenário, consolidando uma derrota política significativa para o Palácio do Planalto.
Críticas à demora e articulação política
Durante a sessão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, rebateu questionamentos sobre o rito da sabatina e aproveitou para criticar a gestão do Executivo no processo. O Portal PRMais destaca que, apesar de o nome de Messias ter sido anunciado em novembro do ano passado, a mensagem oficial da indicação só foi enviada ao Congresso em abril deste ano.
Essa demora no envio da documentação, somada à temperatura política elevada no Congresso após a derrubada de vetos presidenciais, dificultou a articulação da base governista. Com a rejeição consolidada, o presidente Lula precisará agora indicar um novo nome para a vaga de Barroso, que deverá passar por todo o processo de sabatina na CCJ e nova votação no Plenário.
