Direto da redação
O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16) a retomada do programa de apoio financeiro aos setores empresariais atingidos pelo novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A medida protecionista norte-americana confirmou uma taxação adicional de 25% sobre parte das exportações do Brasil a partir do dia 22 de julho. Em coletiva de imprensa realizada em Brasília, ministros de Estado rejeitaram as justificativas da Casa Branca e classificaram a barreira alfandegária como injusta, indevida e ilegal.
Segundo estimativas oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o imposto norte-americano vai afetar diretamente cerca de 2,4 mil empresas nacionais. Juntas, essas companhias respondem por aproximadamente 18% das vendas brasileiras com destino ao mercado dos Estados Unidos, movimentando transações anuais bilionárias. Para mitigar as perdas financeiras, o governo vai disponibilizar linhas de crédito voltadas ao capital de giro, novos investimentos internos e logística de escoamento.
Setores industriais afetados receberão crédito enquanto o governo estuda retaliação
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, detalhou que os segmentos mais prejudicados são os de madeira, móveis, calçados, açúcar, cerâmica e maquinários elétricos. Por outro lado, itens importantes da pauta exportadora como carnes, café, óleos brutas e produtos de aviação foram poupados da sobretaxa nesta rodada. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o comitê de crise estuda os mecanismos legais para aplicar de forma firme a Lei da Reciprocidade.
A legislação federal, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, confere ao governo brasileiro o direito de suspender concessões comerciais concedidas aos norte-americanos como resposta a atos unilaterais prejudiciais. As autoridades acreditam que a retaliação calibrada ajudará a reequilibrar as forças nas negociações bilaterais globais. O Ministério da Fazenda informou que o pacote de socorro financeiro não vai comprometer as metas fiscais ou a estabilidade macroeconômica do País.
Banco Central e Meio Ambiente rebatem queixas dos EUA sobre o Pix e desmatamento
Durante o pronunciamento, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, contestou duramente o argumento de Washington de que o sistema Pix geraria concorrência desleal a multinacionais. O chefe da autoridade monetária explicou que, após o lançamento da ferramenta, o mercado de cartões de crédito de empresas americanas cresceu expressivamente no Brasil. O Ministério do Meio Ambiente também rebatou as queixas sobre desmatamento ilegal, exibindo dados que comprovam queda nos índices de degradação.
