No terceiro dia de paralisação dos servidores municipais em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, a Prefeitura endureceu o tom contra o movimento grevista. Em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (2), o procurador-geral do município, Gelson Mezzomo, classificou a greve como uma “cortina de fumaça” criada por dirigentes sindicais para garantir a manutenção de seus salários pagos integralmente pelos cofres públicos.
Blindagem do fundo e polêmica sobre salários de dirigentes
Para dissipar os boatos que motivaram a paralisação, a Câmara de Araucária aprovou a emenda 59/2026, que blinda o fundo previdenciário contra atos por ofício do gestor executivo. De acordo com a Prefeitura, a gestão dos recursos continua sob a responsabilidade exclusiva dos conselheiros eleitos pelos próprios servidores.
O verdadeiro motivo do embate, contudo, estaria em um dispositivo do projeto que estabelece que os servidores públicos cedidos para atuar como dirigentes sindicais passem a ser remunerados pelas próprias instituições sindicais, e não mais pelo município.
Mezzomo citou exemplos práticos para ilustrar o impasse: “O próprio Bruno [Garcia Mansolelli], que é médico concursado da Prefeitura, foi cedido para o Sifar. Portanto, deixou de atender a população para ser dirigente sindical. Não é justo que o seu salário, de cerca de R$ 18 mil, continue sendo pago pela população que não é mais atendida por ele”, argumentou.
Prejuízo à população e ilegalidade
De acordo com a administração municipal, o sindicato estaria utilizando o projeto como pretexto porque a palavra de ordem do movimento é pela retirada total da proposta. “A única forma desses dirigentes continuarem a receber o salário pela Prefeitura é se o projeto inteiro for retirado da votação”, pontuou o procurador.
A Prefeitura destacou que a paralisação prejudica serviços essenciais à comunidade, deixando mais de 15 mil alunos sem aulas e parte da população sem atendimento regular de Saúde, classificando o movimento grevista como abusivo e ilegal.
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