Direto da redação
Uma comemoração de formatura terminou em tragédia na noite de quinta-feira (16) em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais do Paraná. O engenheiro Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, morreu após participar de um ritual comemorativo tradicional da aviação, conhecido como “banho de óleo”, e sofrer uma reação alérgica fulminante. O jovem havia acabado de concluir uma importante etapa de sua formação aeronáutica em uma escola de pilotagem local.
O responsável por despejar o produto químico na vítima é um instrutor da própria instituição de ensino, que não teve a identidade divulgada pelas autoridades. De acordo com a Polícia Civil, o profissional se apresentou espontaneamente na delegacia logo após o ocorrido. Ele foi autuado em flagrante pelo crime de homicídio culposo — quando não há a intenção de matar —, prestou depoimento e foi liberado para responder em liberdade após pagar uma fiança no valor de R$ 3 mil.
Substância de motores causou choque anafilático e paradas cardiorrespiratórias
Segundo os levantamentos iniciais liderados pelo delegado Lucas Petry, responsável pelo caso, a substância utilizada no batismo é um óleo lubrificante usado rotineiramente nos motores de aeronaves. Em seu depoimento à polícia, o instrutor confirmou que jogou o líquido no jovem para celebrar a conquista na carreira e explicou que o procedimento padrão de praxe nessas comemorações é aplicar o produto estritamente do pescoço para baixo.
Logo após receber o banho de óleo, Gustavo apresentou um comprometimento drástico em seu quadro de saúde. Socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados às pressas e encaminharam o piloto a uma unidade hospitalar. A equipe médica explicou que o rapaz sofreu um choque anafilático — a forma mais grave e rápida de reação alérgica —, seguido de uma crise convulsiva e três paradas cardiorrespiratórias consecutivas. Os médicos conseguiram reverter os dois primeiros ataques, mas o jovem não resistiu ao terceiro.
Perícia química vai analisar composição do óleo e apurar circunstâncias do rito
O “banho de óleo” é um rito de passagem histórico e muito comum em aeroclubes e escolas de aviação civil espalhadas pelo Brasil, servindo para celebrar marcos importantes como o primeiro voo solo do estudante. A Polícia Civil informou que, até o presente momento das apurações, não foram identificados quaisquer elementos ou indícios que apontem para a intenção dolosa de provocar a morte do aluno da instituição.
