A funcionária, identificada pela mídia local como Darya Shipilova, trabalhava no Instituto Antipeste da Sibéria e do Extremo Oriente, localizado em Irkutsk. Ela adoeceu no final de setembro e faleceu três dias depois, no dia 2 de outubro, em uma cidade vizinha.
De suspeita de peste a recuo oficial
Inicialmente, o governador da região vizinha da Buriácia declarou publicamente que a cientista havia morrido de peste, alimentando relatos na imprensa de que ela poderia ter entrado em contato com o patógeno após quebrar um tubo de ensaio ou durante uma expedição de campo. A situação provocou medidas drásticas de contenção na região: hospitais teriam entrado em quarentena de três semanas, uma fábrica de alumínio exigiu uso obrigatório de máscaras e eventos públicos foram cancelados.
Contudo, o tom mudou rapidamente. O Serviço Federal de Supervisão de Defesa do Consumidor da Rússia (Rospotrebnadzor) e o governador de Irkutsk passaram a negar a ligação com a peste, afirmando que os exames laboratoriais das amostras biológicas não detectaram microrganismos relacionados às atividades profissionais de Shipilova e classificando a causa do óbito como uma pneumonia de origem indeterminada.
A falta de clareza motivou reações internacionais. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, instou publicamente o governo russo a compartilhar mais informações com o mundo, destacando que Washington acompanha a situação hora a hora.
O que dizem os especialistas?
Apesar do temor histórico associado à Yersinia pestis bactéria responsável pela devastadora Peste Negra no século XIV, especialistas em microbiologia e doenças infecciosas buscam tranquilizar a população quanto ao risco de uma nova pandemia.
O professor associado Simon Clarke, da Universidade de Reading (Reino Unido), explicou à BBC que, embora a variante pneumônica seja altamente letal se não tratada, ela responde prontamente a tratamentos básicos com antibióticos, que continuam altamente eficazes por conta da raridade da doença na atualidade.
Biólogos e virologistas reforçam que as condições insalubres e a aglomeração urbana que propiciavam as grandes pestes do passado já não existem nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, limitando drasticamente o potencial de disseminação em massa e transformando o caso em um isolado incidente de laboratório ou infecção pontual com rastreamento controlado de contatos.
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