Uma operação de grande envergadura conduzida pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) resultou na prisão de 10 pessoas nesta quinta-feira (8 de outubro), em uma ofensiva contra um grupo criminoso especializado no chamado “golpe do falso advogado”. A investigação apurou que o esquema causou um prejuízo de aproximadamente R$ 2 milhões a uma vítima idosa residente em Curitiba.
Para desarticular a rede criminosa, os policiais civis paranaenses viajaram até o estado do Ceará, contando com o apoio operacional da Polícia Civil local (PCCE). As diligências foram cumpridas nas cidades de Fortaleza, Maracanaú e Eusébio.
Segundo a investigação conduzida pela Delegacia de Estelionatos da PCPR, o esquema teve início após a denúncia da idosa curitibana. Os criminosos entravam em contato com as vítimas por aplicativos de mensagens, utilizando dados reais obtidos em consultas públicas a processos judiciais e informações de profissionais da advocacia. Para passar credibilidade, o grupo forjava documentos judiciais com timbres falsos e enviava fotos de escritórios.
O delegado da PCPR Emmanoel David explica o modus operandi: “Eles forjam documentos judiciais, afirmando que a sentença foi favorável e que pode ser feito um pagamento no valor da demanda específica. Só que é necessário pagar para levantar esse dinheiro e as vítimas acabam fazendo os pagamentos”.
Bloqueio de bens e pulverização financeira
Ao todo, a Justiça expediu 15 mandados de prisão temporária e 17 de busca e apreensão. Até o fechamento parcial do balanço, dez suspeitos haviam sido capturados, enquanto as equipes seguiam em diligências nas ruas. Além das prisões, o Judiciário autorizou o bloqueio de até R$ 2,09 milhões em contas bancárias e aplicações ligadas aos investigados.
O trabalho policial revelou que o grupo utilizava a prática de pulverização financeira para dificultar o rastreamento do dinheiro. Após receberem os valores das vítimas (11 beneficiários primários identificados), o montante era rapidamente transferido para contas de outros quatro laranjas ou operadores secundários. Em um dos casos analisados, R$ 30,6 mil transferidos pela vítima sumiram da conta inicial em pouquíssimo tempo.
Alerta e apoio da OAB-PR
A operação contou com o acompanhamento próximo da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná (OAB-PR). A presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB-PR, Bárbara Ferrassioli, destacou a importância da parceria semanal com a Delegacia de Estelionatos para mapear as abordagens dos golpistas.
Já o coordenador da Comissão de Inteligência e Combate ao Golpe do Falso Advogado da OAB-PR, Leandro Pereira, reforça as orientações de segurança: nunca faça transferências ou pague taxas antecipadas sob a promessa de liberação de valores judiciais sem antes confirmar a veracidade do contato diretamente com o seu advogado por canais oficiais e conhecidos.
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