A sucessão de episódios envolvendo instituições do mercado financeiro como as liquidações das gestoras Trustee e Banvox anunciadas pelo Banco Central tem reacendido um debate crucial sobre a segurança e a proteção de capitais familiares em um cenário de produtos cada vez mais complexos e, por vezes, opacos.
De acordo com dados do Banco Central, somente em 2026 foram decretadas 17 liquidações extrajudiciais de instituições financeiras no país, o maior volume registrado desde 2002. Embora parte do movimento esteja ligada ao escândalo envolvendo o Banco Master, o momento evidencia a vulnerabilidade de investidores que confiavam cegamente em marcas consolidadas e históricos de rentabilidade.
Riscos ocultos e a importância da análise estrutural
Na avaliação de especialistas do setor, travas de resgate, questionamentos sobre garantias reais, exposição indireta a ativos de alto risco e falhas na governança de fundos estruturados passaram a integrar o radar de quem busca preservar patrimônio.
Para Murilo Dalsenter, CEO da Zelen Family Office, a reputação e o porte institucional já não bastam como garantia única: “O movimento reforça que reputação, porte institucional e histórico de rentabilidade não substituem uma análise aprofundada da estrutura por trás de cada aplicação. Em operações mais complexas, o risco nem sempre está no nome do produto ou na taxa oferecida”, pontua. O especialista destaca que a análise deve abranger toda a cadeia do gestor e custodiante até o originador do crédito, devedor final e políticas de liquidez.
Recomendações para a proteção patrimonial
Entre os principais erros apontados que podem comprometer fortunas familiares estão a concentração excessiva em uma única estratégia, a busca por retornos elevados sem clareza do risco e a falta de testes de liquidez real para cenários adversos. Para mitigar perdas, especialistas recomendam:
- Exigir transparência total sobre a origem, estrutura e garantias dos investimentos;
- Diversificar instituições financeiras com base na qualidade técnica dos ativos;
- Revisar documentos com apoio jurídico e financeiro independente;
- Formalizar uma política de investimentos clara, definindo limites de concentração e critérios de governança familiar.
O uso de estruturas de assessoramento independente como os Family Offices atua como uma barreira de proteção, separando o relacionamento comercial da consultoria neutra. Para acompanhar análises econômicas e dicas de planejamento financeiro, continue no portal.
