Direto da redação
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou, nas primeiras horas desta sexta-feira (10), uma grande operação para desarticular um grupo criminoso responsável por lavar mais de R$ 8 milhões. O montante é oriundo de fraudes financeiras sofisticadas praticadas contra uma empresa de produtos médicos em Curitiba. A ação é um desdobramento direto da investigação sobre o sequestro do proprietário do negócio, ocorrido em setembro de 2024, no bairro Jardim Botânico.
Ao todo, os policiais civis saíram às ruas para cumprir 27 mandados judiciais, que incluem ordens de busca e apreensão e o sequestro de valores em contas bancárias. Os alvos foram localizados simultaneamente em Curitiba, São José dos Pinhais e Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana, além da cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.
Ex-gerente financeira comandou desvios e cativeiro
O avanço das investigações revelou uma teia de traição corporativa. O sequestro do empresário, que na época tinha 58 anos e cujo resgate envolveu a exigência de mais de R$ 3 milhões, foi inteiramente planejado pela ex-gerente administrativa e chefe do departamento financeiro da própria vítima. A mentora intelectual foi presa pela PCPR em abril deste ano, em São José dos Pinhais.
Além da ex-gerente, outra ex-funcionária da empresa, familiares e conhecidos da dupla foram identificados como coautores do sequestro. Com o aprofundamento das apurações, a polícia descobriu que, antes de arquitetar o crime de extorsão mediante sequestro, o grupo já vinha sangrando o caixa da empresa de forma contínua por meio de fraudes eletrônicas.
Empresas de fachada e boletos falsos sustentavam o esquema
A engenharia financeira criada pelas suspeitas utilizava a emissão de boletos fraudulentos vinculados a empresas de fachada, abertas em nome de laranjas e parentes. Ao todo, a Polícia Civil identificou a participação direta de 11 pessoas no esquema e o pagamento de 46 boletos falsos em um intervalo de apenas nove meses — entre janeiro e setembro de 2024.
