Direto da redação
A obesidade se consolidou como o principal fator de risco para a mortalidade e a perda de qualidade de vida da população brasileira, superando a hipertensão, que liderou esse indicador negativo por décadas. O diagnóstico consta na análise nacional do Estudo Global sobre Carga de Doenças, publicado na edição de maio da revista científica The Lancet Regional Health – Americas.
O levantamento, que envolveu milhares de pesquisadores internacionais, revela que o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado assumiu o topo do ranking após um crescimento constante de 15,3% no risco atribuído desde 1990. Especialistas apontam que a rápida urbanização do país nas últimas décadas impulsionou o sedentarismo e o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados.
O perigo do “ambiente obesogênico” atual
A mudança comportamental da população criou o que a comunidade médica classifica como um ambiente propício para o ganho de peso generalizado. De acordo com o endocrinologista Alexandre Hohl, membro da Abeso, a obesidade deve ser tratada com a gravidade de uma patologia crônica, e não apenas como uma questão estética ou de excesso de peso isolado.
O médico alerta que a condição atua como uma doença inflamatória e metabólica de base, capaz de desencadear simultaneamente problemas como diabetes tipo 2, infarto, AVC e tipos variados de câncer. Atrás do IMC elevado, a lista de maiores riscos à saúde dos brasileiros segue composta pela hipertensão em segundo lugar e pela glicemia elevada na terceira posição.
Comparativo histórico revela avanço e novos alertas
Os dados atuais mostram uma inversão drástica em relação ao panorama registrado em 1990, quando os principais riscos eram a pressão alta, o tabagismo e a poluição do ar. Naquela época, o IMC elevado ocupava apenas a sétima posição do ranking nacional. O relatório aponta que a poluição particulada do ar teve uma queda expressiva de 69,5% no risco gerado ao longo dos anos.
