Direto da redação
A área total de vegetação nativa desmatada no Brasil ficou abaixo do patamar de 1 milhão de hectares em um único ano pela primeira vez nos últimos seis anos. De acordo com os dados do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD2025), divulgado pela rede MapBiomas nesta quarta-feira (27), foram suprimidos 984.794 hectares em território nacional ao longo de 2025.
A média diária de desmatamento no país atingiu a marca de 2.698 hectares por dia, o equivalente a 112 hectares devastados por hora. Na prática, o ritmo equivale a dizer que a cada 24 horas o Brasil perdeu uma área correspondente a 17 vezes o tamanho do Parque do Ibirapuera, o maior parque urbano de São Paulo. Nos últimos sete anos de monitoramento, a perda acumulada ultrapassa os 10,9 milhões de hectares.
Cerrado e Amazônia concentram a destruição
Pelo terceiro ano consecutivo, a savana brasileira superou as florestas equatoriais em ritmo de devastação. Somados, os biomas do Cerrado e da Amazônia concentraram 84% de toda a supressão vegetal validada no país no ano passado. As formações de savana lideraram os alertas (51,4% do total), enquanto as formações estritamente florestais responderam por 46,3%.
O peso da Agropecuária e a radiografia regional
A expansão agropecuária respondeu por 99% de toda a vegetação nativa perdida no Brasil em 2025. Outros fatores operaram de forma regionalizada: 99% do desmatamento por garimpo concentrou-se na Amazônia (liderado pelo Pará), enquanto a Caatinga concentrou 97% das perdas associadas à infraestrutura de usinas de energia renovável.
As áreas sob proteção legal do Estado e os territórios de povos tradicionais seguem desempenhando o papel de escudos ecológicos mais eficientes do país, embora não estejam totalmente imunes às invasões de grileiros e madeireiros. Em 2025, o desmatamento no interior de Unidades de Conservação (UCs) recuou 21,4%, somando 46.257 hectares.
