Direto da redação
Horas após ter seu gabinete vasculhado por agentes do Ministério Público, o vereador Lórens Nogueira (PP) protocolou junto à Mesa Diretora da Câmara Municipal de Curitiba (CMC), no fim da tarde desta terça-feira (26), o seu pedido oficial de desligamento do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa, colegiado do qual era membro ativo.
A renúncia ocorre como reflexo imediato da Operação Déjà-vu, deflagrada pelo núcleo da capital do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A ofensiva cumpriu 14 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Poder Judiciário. O objetivo central é sufocar e colher provas de um esquema institucionalizado de desvio de salários de assessores — a popular “rachadinha” — e crime de peculato.
Malas cheias de dinheiro e flagrante gravado em vídeo
Durante o cumprimento dos mandados na manhã desta terça, os policiais civis e promotores localizaram e apreenderam duas malas de viagem recheadas com cédulas de dinheiro vivo, totalizando aproximadamente R$ 118 mil em espécie. O Ministério Público anexou aos autos um registro audiovisual considerado contundente. As imagens flagram o vereador Lórens Nogueira recebendo, em mãos, um maço contendo R$ 5,6 mil em dinheiro vivo.
Além das quantias financeiras, computadores, celulares e dezenas de documentos fiscais e de nomeações foram recolhidos e encaminhados para perícia técnica para rastrear a origem e o destino dos fluxos bancários do gabinete.
Defesa deserta e partido se mantém em silêncio
No início do dia, o corpo jurídico que representava o vereador Lórens Nogueira emitiu uma nota curta à imprensa de Curitiba. No texto, os advogados afirmavam que “até o presente momento, não tiveram acesso integral aos autos e às informações que fundamentaram a operação” e pediam cautela, reiterando “a necessidade do respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e à presunção de inocência”.
