Direto da redação
O custo da cesta básica subiu em todas as capitais brasileiras em março, e o Paraná sente o reflexo direto no prato. Segundo dados do Dieese, Curitiba registrou uma alta de 1,68% no preço do feijão preto, o preferido na região. O aumento é impulsionado pelo excesso de chuvas nas áreas produtoras paranaenses, o que dificultou a colheita e reduziu a oferta do grão no mercado, impactando o bolso das famílias que agora precisam de mais horas de trabalho para custear a alimentação básica.
No campo, o cenário é de perda de produtividade. Marcelo Lüders, presidente do Ibrafe (Instituto Brasileiro do Feijão), explica que o clima no Paraná prejudicou drasticamente quem plantou no início do ano: produtores que esperavam colher 60 sacas por hectare estão obtendo apenas 30 ou 40. Além da quebra na safra, a área plantada menor e o atraso no ciclo das culturas forçaram uma restrição de estoque que pressiona os preços tanto no varejo quanto no atacado.
Atualmente, a saca do feijão carioca chega a ser vendida a R$ 350, enquanto o tipo preto oscila entre R$ 200 e R$ 210. Contudo, analistas alertam para uma inversão de preços em 2026: com o baixo rendimento da segunda safra paranaense devido às tempestades, o feijão preto deve se tornar mais caro que o carioca nos próximos meses. A expectativa de queda nos valores só é projetada para o último trimestre do ano, quando entra no mercado a colheita da safra irrigada.
O encarecimento dos alimentos essenciais, como feijão, batata e tomate, faz com que o trabalhador de Curitiba comprometa, em média, 48,12% do seu rendimento líquido para adquirir a cesta básica. Com o salário mínimo atual em R$ 1.621,00, a jornada necessária para comprar os itens básicos em março foi de quase 98 horas. Segundo o Dieese, para suprir todas as necessidades constitucionais de uma família de quatro pessoas, o salário mínimo ideal deveria ser de R$ 7.425,99.
Apesar da estimativa da Conab indicar uma produção nacional ligeiramente superior ao ciclo anterior, a incerteza climática no Paraná e o aumento nos custos de combustíveis mantêm o mercado em alerta. O setor produtivo paranaense agora monitora as previsões meteorológicas para a próxima janela de plantio, tentando evitar novos prejuízos. Para o consumidor, a recomendação do Portal PRMais é pesquisar preços, já que a variação entre supermercados da capital ainda é significativa.
