Como jornalista que sempre defendeu uma política pautada pelo progresso, pelo trabalho sério e pelo respeito ao cidadão, acompanho os desdobramentos da corrida eleitoral no Paraná com um olhar crítico e sem espaço para leniência. O que testemunhamos nesta semana na propaganda eleitoral do candidato do PL, Sergio Moro, ultrapassa o limite do aceitável na disputa pelo governo do estado e exige uma posição clara de quem preza pela verdade dos fatos.
A decisão unânime do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que suspendeu a veiculação do comercial onde Moro inventa uma “aliança” histórica com o governador Ratinho Junior, expôs uma manobra eleitoral rasteira. Tentar criar uma associação política pessoal inexistente para pegar carona na aprovação superior a 80% do atual governo não é apenas um erro jurídico, mas sim um desrespeito direto ao leitor e ao eleitor paranaense.
A pergunta que não quer calar e que precisa ser feita diretamente é: será que o candidato do PL está fazendo isso por um ato de desespero — e, com isso, enganando seu próprio eleitor? A política de resultados não aceita atalhos fictícios, e tentar reescrever o passado para se beneficiar no presente é um sinal claro de fragilidade de projeto e falta de propostas reais para o futuro da nossa terra.
A realidade fática, desnudada brilhantemente pela juíza auxiliar Claudia Cristina Cristofani, é incontestável. Em 2018, Moro era magistrado federal e estava juridicamente impedido de ter alianças políticas; em 2022, disputou o Senado enquanto Ratinho Junior apoiava publicamente outro candidato. Inventar um apoio passado para tentar construir uma narrativa agora demonstra um distanciamento preocupante da ética que o eleitorado espera.
Está claro para mim que o candidato do PL está tentando vincular sua imagem com o atual governo que já tem um candidato: Sandro Alex do PSD. Ratinho Júnior já definiu sua liderança de continuidade e seu candidato à sucessão, tornando a tentativa de Moro de forçar uma proximidade artificial um gesto incoerente que induz parte da população ao erro.
Mas o desgaste da campanha de Moro não se limita aos tribunais eleitorais e às telas de televisão; ele ecoa com força nos bastidores das coligações partidárias em todo o estado. O descontentamento interno no próprio grupo político revela que o discurso de grande estrutura não tem se revertido em apoio real na ponta.
Tem muito candidatos a deputado estadual e federal que estão completamente insatisfeitos com a coligação do PL, por falta de verba para a campanha. A indignação nos bastidores é generalizada entre aqueles que colocaram seus nomes na disputa proporcional confiando em uma estrutura corporativa e majoritária que se mostrou uma ilusão.
Prometeram muito e estão entregando muito pouco ou quase nada para a base que precisa gastar sola de sapato e defender propostas nas ruas do interior e da capital. Sem o respaldo financeiro e logístico prometido, a base de candidatos se sente abandonada em meio a uma campanha que prioriza apenas o marketing da chapa majoritária.
O Paraná é um estado moldado pelo trabalho firme, pela produção e pela busca de convergência e progresso, repudiando a velha política dos arranjos artificiais. Quando um candidato prefere criar atalhos imaginários a apresentar um plano de gestão consistente e transparente, quem perde é a própria democracia.
Seguirei atento e vigilante nesta coluna, trazendo a informação com opinião forte, independência e transparência. O eleitor paranaense é maduro, sabe diferenciar o trabalho real da ficção eleitoral e não aceitará ser enganado por narrativas criadas apenas para obter o voto a qualquer custo.
