Quem me acompanha por aqui sabe que a minha relação com o esporte vai muito além da bancada de redação. Como professor e praticante de judô há mais de 30 anos, vivo o dia a dia do tatame, sinto a energia dos dojos e acompanho de perto o suor e a dedicação da nossa piazada. Por isso, na estreia oficial da nossa coluna Pista, Quadra e Tatame, não poderia escolher outro tema: o resultado marcante do Paraná no Campeonato Brasileiro Sub-13, disputado no último fim de semana em Macapá.
Atraessar o país para encarar o clima e a pressão de um torneio nacional exige um preparo psicológico gigante para atletas de apenas 11 e 12 anos. E voltar para casa com a terceira colocação geral no feminino e o quinto lugar no masculino entre as 27 federações do país não é um feito qualquer. É a prova viva de que a nossa base está pronta para grandes voos no cenário esportivo brasileiro.
São Paulo e Rio de Janeiro ainda lideram o quadro pelo volume financeiro e pela densidade populacional, mas o Paraná fincou bandeira no pódio de forma indiscutível. O desempenho das nossas meninas, em especial, mostra uma evolução técnica impressionante e uma maturidade de combate que enche os olhos de quem entende da modalidade. E Não chegamos a esse patamar por acaso; há muito trabalho invisível por trás de cada medalha conquistada.
Essa conquista na capital amapaense é o reflexo direto de um processo sério e contínuo de formação que começa lá no dojô de bairro e nas associações do nosso interior. É na ponta, na dedicação diária de dezenas de professores e na confiança dos pais, que a semente do alto rendimento é plantada. Ver esse esforço coletivo se transformar em pódio nacional dá um orgulho imenso para a nossa comunidade.
É preciso dar nome aos bois e enaltecer o trabalho que a Federação Paranaense de Judô vem realizando sob a liderança do sensei Helder Faggion. O salto de qualidade institucional da FPRJ nos últimos anos é visível para qualquer um que acompanha o circuito. Vemos uma gestão organizada, transparente e verdadeiramente comprometida com o crescimento de todas as regiões do estado.
O investimento da federação na elevação do nível dos estaduais, com estruturas modernas e arbitragem de ponta, criou um ambiente competitivo saudável para os nossos jovens. Além disso, o suporte logístico real para atletas e comissões técnicas nas viagens nacionais e o acompanhamento médico e fisioterapêutico qualificado deram a tranquilidade que a delegação precisava para performar em alto nível no Amapá.
Outro mérito gigante dessa administração é o olhar descentralizado e inclusivo para com as academias do interior do Paraná. Cidades que antes ficavam isoladas do circuito principal hoje recebem clínicas, suporte de equipamentos e incentivo para filiação. Esse trabalho de garimpo e lapidação descentralizada faz com que talentos de todos os cantos da nossa terra cheguem à seleção estadual preparados para vencer.
Agora, olhando para o futuro, qual é o próximo passo para darmos o salto definitivo rumo ao topo absoluto? A minha análise como jornalista e praticante é de que não podemos nos acomodar com o pódio. Para diminuir a distância para a estrutura paulista nos próximos anos, o judô paranaense precisa investir ainda mais em intercâmbios técnicos e na preparação física específica para as categorias de transição.
Outro ponto crucial é a captação de novos patrocinadores na iniciativa privada do nosso estado para aliviar a carga financeira das famílias dos atletas. O judô forma cidadãos e campeões, e o empresariado paranaense precisa enxergar o valor de apoiar esses jovens promessas desde o início da jornada esportiva. A expectativa para 2027 é de aportes ainda maiores no setor, e precisamos estar prontos para gerir esse crescimento.
O caminho está pavimentado e a gestão do sensei Helder Faggion provou que tem capacidade de entrega e visão de futuro. O resultado em Macapá nos enche de orgulho, mas também renova a nossa responsabilidade com o esporte paranaense. A piazada fez a parte dela no tatame; agora cabe a todos nós continuar apoiando para que o nosso judô siga brilhando nos pódios pelo mundo.







