Direto da redação
A União Europeia (UE) oficializou a decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixes e mel produzidos em território brasileiro. A medida restritiva foi confirmada por meio de documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5) e passará a vigorar a partir do próximo dia 3 de setembro.
Impasse regulatório sobre o uso de antimicrobianos
A Comissão Europeia justificou o embargo alegando que o Brasil não comprovou o cumprimento de exigências sanitárias rígidas, especificamente a garantia de que os produtores não utilizam medicamentos antimicrobianos para prevenir e tratar infecções animais ao longo da cadeia produtiva. O bloco adota a política de segurança alimentar One Health.
A restrição europeia não aponta contaminação real na carne brasileira, mas sim uma exigência documental de certificação e rastreamento. A Europa figura como um dos principais destinos comerciais das proteínas animais do Brasil, liderando em faturamento de carne bovina. Para voltar ao mercado da UE, o Brasil terá de criar sistemas mais rígidos e caros de monitoramento ou ampliar o banimento de fármacos.
Entidades do agronegócio defendem sistema de inspeção nacional
Em nota oficial, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) destacou que o Brasil possui um dos sistemas de defesa agropecuária mais robustos do mundo, exportando para mais de 170 nações. A entidade garantiu que o setor privado já trabalha junto ao governo federal para desenhar protocolos que atendam às novas demandas regulatórias da Europa.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também se manifestou, reforçando que o veto não decorre de problemas sanitários detectados nos alimentos, mas sim de uma divergência de validação dos mecanismos de fiscalização. A ABPA pontuou que apoia as políticas de saúde pública, mas defendeu que as normas internacionais de comércio devem sempre se basear em critérios científicos e de avaliação de risco reconhecidos globalmente.
