Direto da redação
O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) concluiu um estudo aprofundado que mapeou cerca de 688 mil ocorrências de violência contra a mulher registradas entre 2019 e 2025 no estado. O levantamento revelou que 68% dos municípios paranaenses contabilizaram ao menos uma morte violenta de mulher no período. As maiores concentrações territoriais dos crimes estão situadas nas regiões do Litoral e Centro-Sul.
No ranking geral e nos recortes por porte populacional, municípios litorâneos lideram as taxas mais elevadas do estado, com destaque para Matinhos (100,0) e Pontal do Paraná (96,3). Entre os grandes municípios com mais de 100 mil habitantes, Foz do Iguaçu lidera a lista com índice de 79,0, seguido diretamente por Paranaguá, que alcançou a pontuação de 75,1.
Concentração territorial de crimes e destaque para o Litoral
A análise de geoprocessamento indicou a formação de clusters territoriais específicos para cada modalidade criminosa no Paraná. O agrupamento formado por Matinhos, Paranaguá, Pontal do Paraná e Morretes consolidou-se como o único bloco de alta gravidade em relação ao homicídio doloso consumado de mulheres.
O estudo apontou ainda que as notificações de estupro apresentaram tendência de alta sustentada em todas as seis macrorregiões do estado, subindo de 5 para 9,6 casos por 100 mil habitantes ao ano. Paranaguá destacou-se como o único município paranaense presente simultaneamente nos mapas de violência doméstica, estupro e homicídio.
Limitações dos dados e criação de rede nacional de proteção
A equipe de auditoria do TCE-PR ressaltou que os indicadores são baseados em registros administrativos e exigem cautela na interpretação, pois taxas elevadas também podem refletir maior capacidade de acolhimento institucional. Diante do diagnóstico, o Sistema Tribunais de Contas lançou a Rede Nacional de Controle Externo pela Proteção das Mulheres (Rede que Protege).
