Direto da redação
As restrições ambientais que serão impostas pelo Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) até junho de 2027 trarão sérias dificuldades para o agronegócio brasileiro. Cooperativas rurais e produtores familiares de café enfrentarão severos obstáculos técnicos para comercializar suas safras com o bloco europeu.
O futuro regulamento internacional condiciona o acesso ao mercado europeu à comprovação de que as commodities não foram cultivadas em solos que sofreram qualquer tipo de desmatamento após dezembro de 2020. Caso o exportador não apresente as devidas certificações geográficas, a importação é sumariamente vetada pelas autoridades alfandegárias europeias.
Exigências rigorosas funcionam como barreira comercial na economia
A exposição da economia brasileira à nova regra equivale a 5,3% do total de suas exportações globais de matérias-primas. Sete commodities nacionais foram listadas como relevantes no âmbito do regulamento internacional, englobando soja, gado bovino, cacau, óleo de palma, borracha, madeira e o café. A cadeia cafeeira é apontada como a mais vulnerável por ser a única que depende diretamente das compras europeias para escoar mais da metade de sua safra anual.
Originalmente, o plano europeu começaria a vigorar mais cedo, mas acabou sofrendo adiamentos e passará a valer de forma gradual para grandes fazendeiros e pequenos agricultores familiares. Especialistas do setor consideram que as medidas funcionam na prática como um protecionismo verde, mascarando propósitos ambientais para resguardar produtores europeus da concorrência externa.
Diplomacia busca o reconhecimento de sistemas de monitoramento
Há temores de que as regras impostas pela União Europeia acelerem a concentração de renda, favorecendo apenas os grandes conglomerados agrícolas que possuem capacidade administrativa. Outro risco iminente mapeado pelos analistas econômicos é a migração das ordens de compra europeias para concorrentes diretos que possuem regras mais brandas, como o Vietnã.
