O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, participou nesta quinta-feira (16) de uma audiência pública na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em Brasília, para defender a retirada dos trens de carga da área urbana da capital. Acompanhado por deputados federais e lideranças do setor produtivo do Paraná, o prefeito reuniu-se em seguida com o ministro dos Transportes, George Santoro. A comitiva curitibana solicitou formalmente a inclusão do projeto e da execução do contorno ferroviário e dos ramais Leste e Oeste no edital da concessão da Malha Sul.
O gargalo da ferrovia na capital e o recorde de acidentes
Atualmente, o trecho de 40,7 quilômetros de trilhos que corta a capital paranaense passa por 21 bairros e afeta a vida de cerca de 467 mil moradores. O principal entrave está nas 51 passagens em nível, que causam constantes congestionamentos e atrasos no sistema de transporte coletivo do município. Além disso, a ferrovia cruza duas das principais canaletas exclusivas de ônibus expresso (BRT), prejudicando a fluidez de um serviço que transporta diariamente 237 mil passageiros.
Para além da mobilidade, a segurança viária é o ponto mais crítico destacado pela prefeitura de Curitiba no documento entregue ao ministério. Dados oficiais da ANTT revelam que a capital paranaense é a cidade brasileira com o maior registro de acidentes ferroviários do país. Entre os anos de 2005 e 2025, foram contabilizadas 433 ocorrências na malha operada pela concessionária Rumo, resultando em dezenas de feridos e mortes nos cruzamentos urbanos ao longo do período.
Benefícios urbanísticos e os próximos passos na ANTT
O projeto de retirada dos trilhos de carga projeta uma reestruturação urbana de grande impacto para Curitiba nas áreas remanescentes do leito ferroviário. Os estudos elaborados pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) preveem a transformação do antigo ramal em parques lineares, ciclovias e eixos de transporte coletivo. A eliminação da ferrovia urbana também deve destravar o potencial logístico da região, criando conexões mais rápidas e eficientes para o escoamento de cargas até o Porto de Paranaguá.
