Direto da redação
A Clínica Médica Vida Nova, localizada no município de Terra Roxa, no Oeste do Paraná, emitiu uma nota oficial após ser alvo da Operação Aurora, deflagrada pelo Ministério Público do Estado (MPPR) com o suporte do Gaeco e do Caex. O estabelecimento é investigado por suspeitas de crimes de tortura, cárcere privado, sequestro e maustratos praticados contra cerca de 72 mulheres acolhidas no local, incluindo pacientes com deficiência.
Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em cinco endereços — abrangendo a sede do espaço, imóveis rurais e residências de suspeitos —, os agentes apreenderam documentos, telefones celulares e veículos. Em um dos locais, um homem foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo e munições. A Justiça Estadual autorizou a quebra de sigilo e a perícia nos eletrônicos para detalhar a dinâmica das condutas criminosas.
MPPR apura uso indevido de sedativos e coerção de pacientes durante fiscalizações
As apurações levadas a cabo pela Promotoria de Justiça revelam relatos da existência de um severo regime punitivo na instituição. As internas estariam submetidas ao isolamento forçado de familiares, aplicação de castigos físicos, imposição de tarefas de trabalho compulsório e negligência no atendimento médico. Outro ponto central da apuração envolve o uso não prescrito de medicamentos sedativos.
A fiscalização aponta ainda indícios de intimidação psicológica: as acolhidas seriam ameaçadas pelos administradores para permanecerem em silêncio ou mentirem durante inspeções de órgãos oficiais de controle. Apesar da gravidade das denúncias que fundamentaram as ordens judiciais, o espaço não foi interditado cautelarmente pelas autoridades, mantendo o atendimento às pacientes enquanto o inquérito avança.
Defesa da instituição rejeita irregularidades e afirma cooperar com as autoridades
Em manifestação pública, a administração da Clínica Médica Vida Nova afirmou estar à disposição do Ministério Público para prestar todos os esclarecimentos necessários. A instituição negou categoricamente a prática de cárcere privado, agressões ou tratamentos desumanos, ressaltando que atua em conformidade com as exigências legais e normas sanitárias para o acolhimento terapêutico.
