Os desdobramentos jurídicos e policiais em torno do caso de violência infantil que comoveu o Sudoeste do Paraná ganharam novos contornos técnicos com o vazamento de trechos do interrogatório oficial do acusado. O homem de 32 anos de idade, formalmente indiciado nesta segunda-feira (13) por chutar o rosto da própria filha de 3 anos em via pública no município de Francisco Beltrão, negou categoricamente perante a autoridade de polícia judiciária possuir um perfil violento ou um histórico crônico de maus-tratos contra menores de idade.
A versão do acusado sobre as lesões do enteado
Durante a audiência de custódia e instrução, o investigado foi confrontado pelos investigadores a respeito de um segundo inquérito, que apura uma agressão anterior praticada por ele contra o seu enteado, um menino de 5 anos. Relatórios da Promotoria de Justiça indicam que o menor foi atingido no rosto com um pedaço de madeira e sofreu lesões no tronco e nas pernas. Ao responder aos questionamentos gravados, o homem rechaçou o uso de força física e alegou de forma tática que as marcas no corpo do menino foram provocadas por um acidente doméstico.
Na tentativa de justificar os hematomas que passaram por perícia indireta, o indiciado afirmou que a criança teria caído do sofá e batido contra a mesa da sala após ignorar um comando verbal. No depoimento, o homem alegou que interveio apenas para advertir o enteado, que supostamente estaria maltratando o animal de estimação da residência, um gato. A Promotoria, contudo, sustenta uma tese penal divergente, baseada no monitoramento de testemunhas vizinhas que confirmaram que o homem utilizava “correções físicas” que atingiam os ossos das costas e das pernas do garoto.
Justificativa para o chute gravado por câmeras
O histórico de violência intrafamiliar voltou a ocupar o centro das investigações após a repercussão das imagens de monitoramento urbano que flagraram o ataque contra a filha de 3 anos no dia 5 de julho. Questionado sobre o momento em que desfere o chute contra a face da menina, o réu admitiu o ato, mas alegou que “perdeu o controle” devido ao cansaço e ao fato de a menor estar gritando na rua após o retorno do mercado. Ele pontuou que não tinha a intenção real de machucar a descendente e que desconhecia a existência de câmeras no local.
A cobertura assinada pelos jornalistas Lucas Sarzi e Cíntia Rocha para o portal Banda B detalha que, com a conclusão do relatório de indiciamento nesta segunda-feira, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) encerrou a primeira fase do procedimento sobre o vídeo da via pública. O histórico envolvendo os maus-tratos contra o enteado foi anexado ao prontuário do suspeito para fins de avaliação de periculosidade social pelo Ministério Público do Paraná. O caso segue sob segredo de Justiça parcial para preservar a identidade e a integridade psicológica das duas crianças agredidas.
