Direto da redação
A Polícia Civil do Paraná deflagrou nesta quinta-feira a Operação Conluio II no município de Santa Helena, localizado na região Oeste do estado. A ofensiva visa desarticular um esquema criminoso de cartelização, fraudes em licitações e desvio de recursos públicos na contratação de transporte escolar.
Ao todo, os policiais civis e promotores cumprem 27 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário em residências de empresários e servidores públicos. A Justiça também autorizou o bloqueio de bens, a realização de buscas pessoais e a quebra de sigilo de dados telefônicos dos investigados. O objetivo principal desta fase é apreender documentos, celulares e computadores para robustecer o inquérito policial e identificar outros membros da organização.
Investigação aponta superfaturamento e uso de laranjas nas licitações
O trabalho investigativo começou após denúncias de fraudes em certames e utilizou cruzamento de dados da primeira fase da operação, ocorrida em agosto de 2024. O grupo criminoso agia em conluio simulando concorrência para manipular os valores de pregões presenciais da prefeitura, eliminando competidores legítimos do mercado regional. A Polícia Civil apurou que o bando usava sistematicamente pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, para ocultar os reais beneficiários do faturamento dos contratos.
Análises técnicas comparativas revelaram distorções graves nos valores praticados no município em relação a outras cidades vizinhas da região Oeste. Enquanto o município de Marechal Cândido Rondon pagava R$ 4,30 por quilômetro rodado, o cartel de Santa Helena fixou contratos de até R$ 9,99. O sobrepreço pago pelo erário atingiu 132% acima da média de mercado em determinados lotes, onerando os cofres municipais de forma criminosa e deliberada.
Custos do transporte escolar cresceram 175% no município
A DECCOR constatou também que o custo anual do transporte escolar em Santa Helena saltou de R$ 3,8 milhões para R$ 10,4 milhões. Esse crescimento explosivo representa uma alta de 175%, índice muito superior à inflação oficial acumulada e ao aumento do preço dos combustíveis. O edital também foi modificado de forma suspeita para aceitar ônibus velhos com até 24 anos de uso, colocando em risco a segurança diária dos estudantes da rede pública.
