Como jornalista focado na política feita com trabalho, entrega e seriedade, observo o atual cenário nacional com profunda preocupação. Vivemos um momento sufocante de instabilidade institucional, com escândalos de corrupção corroendo as estruturas do país e uma polarização ideológica cega que serve apenas de cortina de fumaça para figuras oportunistas enganarem o cidadão de bem. Na nossa terra, o maior exemplo dessa política de aparências e contradições atende, ao meu ver, pelo nome de Sergio Moro.
A trajetória de Moro expõe uma constante fuga de compromissos em nome da ambição pessoal. Primeiro, abandonou a magistratura para virar ministro; depois, rompeu com o próprio governo Bolsonaro — sendo acusado de traição pelo ex-presidente. Agora, antes mesmo de cumprir metade de seu mandato no Senado, tenta abandonar a representação do Paraná no Congresso Nacional para disputar o Palácio Iguaçu por pura vaidade e uma busca desenfreada pelo poder.
Moro tenta a todo custo se vender como o candidato dos valores de direita, mas sua postura nos bastidores conta uma história completamente diferente. O mesmo parlamentar que hoje pede o voto do eleitor conservador votou favoravelmente à indicação de Flávio Dino ao Supremo Tribunal Federal, um ato de alinhamento com a esquerda do país e que chocou e decepcionou a base que o elegeu.
Quem se posiciona na direita e deseja ver o Paraná avançar precisa avaliar a atuação de Sergio Moro não pelo discurso de internet, mas pelos números oficiais do seu trabalho no Senado. E a realidade revelada pelos dados orçamentários do sistema SIGA Brasil, do próprio Senado Federal, é alarmante.
Moro é o senador em exercício do Paraná que contemplou o menor número de municípios paranaenses com recursos de emendas pagas entre 2024 e 2026. Enquanto Flávio Arns atendeu 343 cidades (86%) e Oriovisto Guimarães contemplou 260 municípios (65,2%), Moro destinou verbas para apenas 102 das 399 cidades do estado — irrisórios 25,6% do total.
Essa distribuição concentrada ignorou solenemente regiões estratégicas para o desenvolvimento estadual, a exemplo do município de Paranaguá, que abriga o maior e mais importante complexo portuário do Paraná. É a nítida demonstração de quem desconhece as necessidades reais do interior paranaense e prefere centralizar repasses em vez de descentralizar o progresso.
Em nota enviada à imprensa, a assessoria do senador alegou que buscou evitar a “pulverização” dos recursos, focando em repasses de alcance regional a hospitais, órgãos de inteligência da polícia e entidades de apoio social, afirmando ter movimentado cerca de R$ 288 milhões. Contudo, no balanço oficial do orçamento da União, o volume efetivamente pago e convertido em melhorias diretas na ponta fica muito aquém das promessas de campanha.
Além da baixa eficiência na distribuição de recursos para as prefeituras, os dados do Portal da Transparência mostram que Moro é o campeão absoluto de gastos do dinheiro público entre a bancada paranaense no Senado. Entre fevereiro de 2023 e meados de 2026, ele acumulou impressionantes R$ 1,65 milhão consumidos pelo “cotão” e despesas do mandato. Sozinho, Moro respondeu por quase metade (49%) de todos os gastos da bancada do Paraná no período.
A análise detalhada das notas fiscais assusta: foram R$ 350,1 mil desembolsados apenas em passagens aéreas e transporte. Mais grave ainda são os gastos com locomoção, hospedagem, alimentação e combustíveis, que somaram R$ 273,4 mil — valor 78% superior ao de Flávio Arns e espantosas 150 vezes maior que as despesas do senador Oriovisto Guimarães nessa mesma rubrica.
O eleitor paranaense é maduro e sabe fazer contas. Entregar o Governo do Estado para quem usa o mandato legislativo como trampolim, torra verbas públicas com mordomias de deslocamento e vira as costas para a imensa maioria dos municípios não é um caminho de futuro; é uma aventura irresponsável que o Paraná não pode e não vai aceitar.
