Como jornalista que acompanha a política com o pé no chão e o olhar voltado para a vida real das pessoas, não tenho receio de dar o nome correto ao que assistimos no congresso nacional, nesta última quarta-feira: a tramitação apressada da PEC do fim da escala 6×1 é um movimento estritamente eleitoreiro. Trata-se de uma jogada desesperada do governo Lula para tentar fisgar o voto do trabalhador indeciso no segundo turno, escondendo a dura verdade de que essa conta inflacionária e recessiva será paga pelo próprio cidadão brasileiro.
A pergunta que precisa ser feita sem rodeios e que causa enorme constrangimento no Planalto é uma só: por que uma Proposta de Emenda à Constituição apresentada lá em 2019 pelo PT e gestada há anos ficou mofando nas gavetas de Brasília, para ser votada às pressas justamente agora, às vésperas da eleição de 2026? O oportunismo salta aos olhos de qualquer um; a pauta não foi pautada por amor ao trabalhador, mas sim pela necessidade urgente de fabricar uma bandeira de apelo popular em pleno ano eleitoral.
Senti ânsia ao ver Davi Alcolumbre, presidente do senado, sorrir e comemorar a aprovação dessa PEC ao lado do líder da bancada do PT, senador Camilo Santana – a dez dias de uma eleição que pode mudar o rumo do país. Mas eles não querem que você saiba que essa conta não vai fechar.
Quando se reduz a jornada sem a devida redução salarial ou ganho real de produtividade, o custo operacional das empresas explode da noite para o dia. Quem acredita que esse aumento de custo não será repassado para o preço final dos produtos e serviços vive em um mundo de ilusão ou está mal-intencionado.
Como fica a situação do pequeno açougueiro de bairro, que já opera no limite da margem de lucro e não terá caixa para contratar um funcionário extra para cobrir a nova folga obrigatória? Ele terá duas escolhas trágicas: ou aumenta o preço da carne do consumidor paranaense ou fecha as portas de vez.
Pense no pequeno comerciante de vestuário no calçadão da Rua XV, no centro de Curitiba, onde a conta do aluguel e dos impostos já não fecha no fim do mês. Obrigado a alterar radicalmente a escala sem ter como bancar novas contratações, o caminho inevitável para evitar a falência será a demissão em massa e o encolhimento da equipe.
O mesmo drama vai sufocar a pequena padaria da esquina no interior do estado, a mercearia de bairro e o dono de um pequeno restaurante familiar. Esses empreendedores não são grandes corporações multinacionais com margens bilionárias; são paranaenses trabalhadores que sustentam o emprego no nosso estado e que serão devastados por uma canetada populista.
A oposição e a direita no Senado, hoje sob a liderança do candidato Flávio Bolsonaro, acabaram ficando acuadas diante da pressão e do medo do massacre nas redes sociais nesta reta final de eleição. Em vez de travarem o debate técnico sob a ótica econômica com a coragem que o tema exige, preferiram recuar para evitar o desgaste político imediato, deixando o país exposto a um remédio amargo que pode gerar inflação, desemprego e informalidade.
A demagogia de Brasília finge não enxergar que forçar mudanças estruturais sem diálogo com quem produz gera o efeito oposto ao prometido. Em vez de mais qualidade de vida, o que veremos é o aumento da informalidade, a precarização dos contratos de trabalho e a inflação corroendo o poder de compra das famílias brasileiras.
Vender milagres em ano eleitoral para ganhar voto é uma receita antiga que sempre termina em desemprego e arrocho financeiro para a população de bem. O Paraná do trabalho não se deixa enganar por ilusionismo político, e a conta dessa manobra eleitoreira infelizmente baterá no bolso de cada um de nós.
