Um Estado movido pela velocidade e celeiro de grandes talentos
Sempre que falamos em Automobilismo, obrigatoriamente, precisamos falar da paixão que o brasileiro tem por esportes a motor e da capacidade dos brasileiros em conquistarem vitórias nas pistas das mais variadas categorias no Brasil e pelo mundo. Mas quando falamos de Automobilismo é impossível não olharmos com respeito e admiração para o Automobilismo Paranaense. Do kart à Fórmula 1, o Paraná sempre se destacou por revelar talentos, tornando-se um verdadeiro celeiro de grandes pilotos.
Daqui saíram nomes como Mauricio Gugelmin, Raul Boesel, Tarso Marques, Ricardo Zonta e Enrique Bernoldi, que fizeram história no Brasil e chegaram ao mais alto nível do automobilismo mundial, levando o nome do nosso Estado até a Fórmula 1.
Mas o Automobilismo do Paraná não vive apenas de sua história.
Ele continua escrevendo sua história!
Hoje, temos pilotos paranaenses em diversas categorias do automobilismo nacional, mostrando que novas gerações continuam surgindo e que essa história está longe de terminar. Gabriel Casagrande, Ricardo Zonta, Júlio Campos, Zezinho Muggiati e Pedro Muffato são alguns dos nomes que representam diferentes gerações e seguem levando o Paraná ao protagonismo nas pistas.
Em 2023, pilotos paranaenses conquistaram 19 títulos nacionais em diferentes categorias. Entre eles, Gabriel Casagrande, campeão da Stock Car Pro, e Zezinho Muggiati, campeão da Stock Series. Naquele ano, Ricardo Zonta e Júlio Campos também fizeram parte de um pódio histórico da Stock Car, formado exclusivamente por pilotos paranaenses. São números que demonstram que não estamos falando apenas de tradição, mas de um trabalho consistente de formação e desenvolvimento de talentos.
É preciso falar também dos palcos onde muitos desses talentos surgiram e se desenvolveram. Para a grande maioria deles, foi num kartódromo onde boa parte dessa história começou. É no kart que nossos jovens talentos dão as primeiras voltas, aprendem competição, disciplina, técnica e estratégia. É também onde muitos futuros pilotos começam a construir seus sonhos.
O Autódromo Internacional Zilmar Beux, em Cascavel, é um dos grandes símbolos do automobilismo paranaense. Sua história começou ainda nos anos 1960, quando as corridas aconteciam nas ruas da cidade. Em 1973, recebeu sua pista asfaltada e tornou-se o primeiro autódromo pavimentado do interior do Brasil, transformando-se em um dos circuitos mais importantes do país e recebendo grandes categorias e competições que marcaram gerações. O circuito também é reconhecido como o berço da Fórmula Truck.
Cascavel também é palco, desde 1967, da tradicional Cascavel de Ouro, uma das maiores referências do automobilismo brasileiro. Ao longo de décadas, a prova passou por diferentes gerações de carros e pilotos, mas manteve intacta a essência de uma grande corrida de longa duração. Em 2026, chega à sua 40ª edição, um marco que poucas competições brasileiras podem comemorar.
A Cascavel de Ouro tem algo que a torna ainda mais especial: ela tem personalidade.
A corrida noturna acrescentou um ingrediente que transformou completamente sua atmosfera. Quando o sol desaparece, as luzes do Autódromo Zilmar Beux se acendem, os carros começam a rasgar a escuridão e o ronco dos motores transforma a noite de Cascavel em um espetáculo único. São 3 horas de disputa, pilotos se revezando, estratégias de equipe, tráfego, ultrapassagens, desgaste de pneus e freios e aquela imprevisibilidade que faz do automobilismo uma paixão. Na pista, cada segundo importa. Fora dela, o público vive uma experiência que mistura esporte, tradição e emoção.
É difícil explicar para quem nunca viveu. É preciso estar lá.
A Cascavel de Ouro não é apenas uma corrida. É um patrimônio do automobilismo paranaense e uma prova da capacidade que o nosso Estado tem de produzir grandes eventos, grandes histórias e grandes personagens.
E agora, com a chegada da 40ª edição, Cascavel mostra mais uma vez que algumas tradições não envelhecem. Elas aceleram.
Em Londrina, o Autódromo Internacional Ayrton Senna mantém viva a tradição do Norte do Estado e continua recebendo importantes competições nacionais.
E, se a Cascavel de Ouro representa a tradição, a Londrina 600 representa a renovação.
A nova prova de Endurance vem ganhando espaço no calendário paranaense. Em 2026, chegou à sua segunda edição, realizada em cinco horas de disputa, mostrando que existe espaço para novos formatos, novas ideias e novas histórias dentro do nosso automobilismo.
E não podemos falar da história do automobilismo paranaense sem lembrar do AIC — Autódromo Internacional de Curitiba, em Pinhais. Durante décadas, o circuito recebeu algumas das principais categorias do automobilismo nacional, como Stock Car, Fórmula Truck e categorias de turismo, além de provas de arrancada e competições internacionais.
Em determinado momento, chegou a ser considerado um dos circuitos mais importantes e modernos do país. Seu encerramento deixou uma lacuna que até hoje é sentida pelos apaixonados pelo esporte.
Mas a nossa força vai muito além das categorias de circuito.
O Paraná tem tradição no Rally, na Arrancada, no Drift e na Velocidade na Terra. São diferentes modalidades, diferentes máquinas e diferentes públicos, mas todas fazem parte da mesma paixão pela velocidade.
Na terra, no asfalto, na pista, na arrancada ou de lado no Drift, existe um Paraná acelerando. Temos uma cultura automobilística construída ao longo de décadas, formada por pilotos, equipes, preparadores, engenheiros, empresários e, principalmente, apaixonados que mantêm o esporte vivo. E talvez esse seja o ponto mais importante: nosso automobilismo não depende apenas das grandes categorias. Ele é sustentado por uma enorme comunidade que trabalha, investe, compete e acredita no esporte.
Temos pilotos, equipes e estrutura. Temos história, tradição e público apaixonado.
Temos empresas e profissionais capazes de transformar paixão em negócio.
O que precisamos é contar melhor essa história.
O Paraná já mostrou que sabe formar pilotos!
Agora, precisamos mostrar ao Brasil — e ao mundo — a força de todo o ecossistema que existe por trás deles.
Porque aqui, a velocidade não é apenas uma paixão.
Ela faz parte da nossa história!
E é justamente por acreditar nesse potencial que nasce esta coluna Melhor Volta, como o propósito de olhar para o automobilismo paranaense com a atenção que ele merece, valorizar quem está nas pistas e também quem trabalha nos bastidores, aproximar pilotos, equipes, empresas e público e mostrar que o automobilismo pode ser muito mais do que um esporte.
Quero usar este espaço para falar do automobilismo paranaense, dar visibilidade aos nossos pilotos, equipes e profissionais e, principalmente, contar as histórias que existem por trás dos capacetes e dos troféus.
Porque o automobilismo é muito mais do que velocidade. É alta performance, tecnologia, empreendedorismo, marketing, relacionamento e negócios.
O Paraná já provou que sabe acelerar. Agora, precisamos fazer com que o Brasil conheça ainda mais essa força.
Esta é a proposta do Melhor Volta: olhar para as pistas, valorizar quem faz o automobilismo acontecer e criar conexões que possam levar nosso esporte ainda mais longe.
Afinal, se o Paraná é um celeiro de pilotos, precisamos também ser um celeiro de oportunidades.
E essa pode ser a nossa Melhor Volta!
