Direto da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta quinta-feira (28), a lei que cria a Universidade Federal Indígena (Unind), a primeira instituição de ensino superior voltada especificamente para essa matriz no país. O projeto de lei, de autoria do próprio poder Executivo, teve sua tramitação concluída pelo Congresso Nacional no início de maio e visa reparar uma lacuna histórica na inclusão acadêmica.
Durante a cerimônia oficial realizada no Palácio do Planalto, o presidente Lula destacou que a iniciativa assegura direitos de forma civilizada e eleva os estudantes ao patamar de cidadãos de primeira linha. As atividades acadêmicas estão programadas para iniciar oficialmente em 2027, ofertando dez cursos de graduação formatados de maneira estratégica.
Sonho de lideranças e diálogo com ciências contemporâneas
O ministro pontuou que o espaço será um polo de defesa de direitos e de consolidação da autoridade epistemológica dessas populações, gerando pesquisas que aprimorem as políticas públicas governamentais. A reestruturação acadêmica prevê uma rampa de crescimento contínuo, com a meta de abrigar e atender até 2,8 mil acadêmicos regularmente matriculados no intervalo de quatro anos.
De acordo com a deputada federal Sônia Guajajara, a universidade terá sua sede principal estabelecida em Brasília, mas o planejamento prevê a abertura de campi em diferentes regiões brasileiras. A proposta pedagógica busca colocar a relação entre o ser humano e a natureza no centro do saber, integrando disciplinas tradicionais com a grade acadêmica regular.
Construção coletiva e seminários em todas as regiões
O projeto que deu origem à Unind não foi desenhado de forma isolada, sendo fruto de um amplo processo de diálogo coordenado pelo Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena. O texto final baseou-se nas demandas e diretrizes coletadas ao longo de mais de 20 seminários regionais que percorreram todas as macrorregiões do país nos últimos meses.
