Direto da redação
A Polícia Civil do Paraná (PCPR), por meio da Delegacia de Polícia de Ibiporã, deflagrou na manhã desta quarta-feira (8) a Operação Fundo Falso. A ofensiva policial visa desarticular uma associação criminosa especializada em cometer estelionato qualificado por meio de fraudes eletrônicas na região Norte do Estado. O foco principal da operação é colher novas provas materiais e cumprir ordens judiciais expedidas contra os mentores de um esquema financeiro que vitimou dezenas de trabalhadores paranaenses.
O esquema funcionava a partir de falsas promessas de liberação, antecipação de recursos ou migração de valores relacionados ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Os golpistas abordavam os trabalhadores afirmando que conseguiriam liberar os saldos sem qualquer tipo de desconto posterior na folha de pagamento. Confiando nas informações, as vítimas seguiam as instruções e acessavam links maliciosos enviados pelos investigados por mensagens, acreditando tratar-se de um procedimento oficial do governo.
Reconhecimento facial era usado para validar a fraude
De acordo com as investigações, ao acessarem as plataformas indicadas, os cidadãos eram induzidos a realizar o reconhecimento facial e a assinar eletronicamente diversos documentos digitais. No entanto, o procedimento automatizado servia, na realidade, para validar a contratação oculta de empréstimos consignados bancários em nome das próprias vítimas. Logo após o dinheiro cair nas contas bancárias dos alvos, os golpistas entravam em contato novamente para solicitar uma transferência financeira de retorno.
Os criminosos justificavam que a devolução de parte do montante depositado era estritamente necessária para concluir a migração ou efetivar as taxas da suposta operação do FGTS. O golpe financeiro só era plenamente descoberto semanas depois, quando os trabalhadores consultavam seus extratos bancários e contracheques mensais. Nesse momento, eles percebiam os descontos fixos e contínuos em seus salários decorrentes dos empréstimos fraudulentos, constatando que os valores transferidos aos golpistas haviam desaparecido.
Mandados de prisão temporária auxiliam nas buscas
O Portal PRMAIS apurou que o Poder Judiciário autorizou o cumprimento de seis mandados de prisão temporária e sete mandados de busca e apreensão nos endereços ligados aos alvos da quadrilha. A Polícia Civil esclareceu que as capturas efetuadas nesta data possuem natureza exclusivamente investigativa, permitindo a realização de interrogatórios, acareações e perícia nos celulares recolhidos. Os materiais apreendidos serão analisados para identificar a participação de outros envolvidos no crime.
