O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou publicamente que as próximas eleições presidenciais no Brasil funcionarão como o “próximo grande teste” para a estratégia geopolítica de Washington na América Latina. A sinalização ocorreu por meio do compartilhamento de uma análise assinada pelo influente colunista John Gizzi, do veículo conservador Newsmax. O texto enquadra o avanço de lideranças conservadoras na região como vitórias pessoais do mandatário republicano.
Alinhamento ideológico e o “Tigre” da Colômbia
O artigo intitulado Trump conquista 8 vitórias em 7 anos na América Latina celebra o recente resultado das urnas na Colômbia como o mais novo triunfo da cartilha trumpista. O jornalista político cita a vitória apertada do advogado de direita Abelardo de la Espriella, apelidado de “O Tigre”, contra o esquerdista Iván Cepeda, como prova de uma transformação ideológica profunda no continente. A onda conservadora elencada pelo autor inclui pleitos realizados no Peru, Chile, Honduras e Bolívia, além de conquistas consolidadas em anos anteriores por Nayib Bukele em El Salvador e Javier Milei na Argentina.
Veja bem que, apesar do otimismo demonstrado pela ala governista de Washington, o relatório republicado por Trump faz um alerta realista sobre os quatro maiores bolsões de resistência que ainda desafiam a hegemonia norte-americana: Cuba, Venezuela, Nicarágua e o próprio Brasil. Por ser a maior economia, o polo industrial e a principal potência política da América do Sul, o cenário eleitoral brasileiro é classificado por Gizzi como a disputa mais importante de todo o hemisfério.
O novo Corolário Trump e a Doutrina Monroe
O documento conceitual da Casa Branca prevê a aplicação prática de um “Corolário Trump” anexado à histórica Doutrina Monroe, criada originalmente em 1823 sob a máxima de que a “América é para os americanos”. Na roupagem moderna do século 21, o governo dos EUA se propõe a restabelecer sua proeminência militar e econômica regional de forma agressiva, expulsando empresas e investimentos estrangeiros com foco na China que atuam na infraestrutura local.
O avanço desse xadrez político internacional acende o sinal de alerta entre os analistas de comércio exterior em Curitiba, visto que o Paraná possui forte interdependência de exportações de commodities para o mercado asiático. As lideranças partidárias brasileiras avaliam o peso que o endosso público e as ferramentas digitais da direita americana exercerão sobre os eleitores locais na corrida presidencial. Enquanto o Itamaraty mantém uma postura de cautela e defesa da soberania nacional, o mapa político sul-americano caminha para um redesenho drástico em 2026.
