Não dá para ficar quieto diante da tentativa descarada de manipulação do eleitorado no nosso estado. A narrativa vendida pela campanha do PL de que a eleição ao Palácio Iguaçu está resolvida no primeiro turno acaba de tomar uma rasteira devastadora da realidade trazida pelo Instituto Quaest e contratada pela RPC, nesta semana.
As pesquisas sérias e de credibilidade comprovada escancaram o que a equipe do candidato do Segio Moro tenta esconder a todo custo: o espectro do segundo turno bate à porta e a apreensão nos bastidores da sua campanha é gigantesca. Quando a Quaest coloca Moro com 36% das intenções de voto — e não nos números inflados de 44% e 48% divulgados por institutos com contratos duvidosos —, fica evidente que a tentativa de criar um clima de “já ganhou” é puro desespero de marketing eleitoral.
É de uma irresponsabilidade assustadora ver levantamentos contratados por veículos de fora do Paraná inflarem estatísticas de forma artificial. A Neokemp, financiada por um jornal de Santa Catarina cujo dono é ligado ao partido Novo (da chapa de Moro), e a Paraná Pesquisas, contratada pelo PL e pelo Diário do Poder de Brasília — veículo comandado por um conhecido aliado editorial de Moro —, tentaram vender ao paranaense um cenário fictício.
A disparidade gritante nos valores pagos por essas pesquisas que “disparam” Moro só aumenta as suspeitas e mancha o debate político. Como aceitar que um levantamento do Diário do Poder custe um terço do valor de pesquisas idênticas pagas pelo próprio PL, obtendo milagrosamente resultados onde o senador aparece na casa dos 45%? Trata-se de uma discrepância orçamentária e metodológica inadmissível.
Enquanto tentam distorcer a realidade com dados sob medida, a equipe do candidato do PL está completamente em pânico diante da inevitabilidade do segundo turno. A subida consistente de Sandro Alex (PSD), que aparece tecnicamente empatado em segundo lugar na Quaest com viés de alta, demonstra que o eleitorado paranaense está acordando para a diferença entre propaganda vazia e trabalho prestado com o apoio de mais de 300 prefeitos.
Para piorar o cenário caótico da candidatura de Moro, as informações de bastidor que recebo confirmam uma revolta sem precedentes dentro do próprio PL no Paraná. Muitos candidatos a deputado estadual e federal – da chapa de Moro – seguem extremamente insatisfeitos com a falta absoluta de suporte financeiro e logístico para tocar suas campanhas no interior e na capital.
A indignação da base proporcional do PL é geral e justa: prometeram um mundo de estrutura, farto fundo eleitoral e apoio irrestrito, mas na hora da verdade entregaram quase nada ou absolutamente nada para quem está na ponta gastando sola de sapato. O dinheiro e a atenção da diretoria parecem concentrados exclusivamente no projeto pessoal de vaidade da chapa majoritária, deixando os candidatos do próprio partido abandonados à própria sorte.
Cá entre nós, como um candidato pretende governar o Estado do Paraná se não consegue sequer cumprir os compromissos financeiros e políticos assumidos com os seus próprios correligionários de chapa? O descontentamento dos postulantes à Assembleia e à Câmara Federal expõe a falência do discurso de grupo e a priorização cega do ego individual.
O eleitor do Paraná é maduro, inteligente e recusa ser feito de bobo por manobras de pesquisas sob encomenda e promessas que não se sustentam na prática. A política que constrói o progresso da nossa terra não se faz com atalhos estatísticos ou abandono de aliados, mas sim com coerência, presença nas cidades e respeito às regras do jogo.
Seguirei nesta coluna expondo a verdade dos bastidores com opinião forte e transparência total. O castelo de cartas erguido por pesquisas duvidosas está ruindo, e o eleitor paranaense saberá dar a resposta definitiva nas urnas, garantindo que o destino do nosso estado seja decidido com verdade, seriedade e trabalho real.
