Direto da redação
O cenário artístico nacional celebra uma das mais importantes e refinadas trajetórias da música popular brasileira. O cantor, compositor e violonista João Bosco comemorou 80 anos de vida nesta segunda-feira (13), consolidando uma obra que figura entre as mais sofisticadas da MPB. Para celebrar a data e os seus 54 anos de carreira, o músico mineiro viajou pelo país com o show “Boca Cheia de Frutas” e já prepara novidades para o segundo semestre.
A principal novidade para os próximos meses é o lançamento de um álbum especial que revisita seu repertório histórico em duetos com grandes nomes de diferentes gerações da música, como Mart’nália, Tiago Iorc e Zeca Pagodinho. Logo após o lançamento do trabalho de estúdio, o artista pegará a estrada com uma nova turnê comemorativa, batizada de “João Bosco 80 Anos”, que deve percorrer as principais capitais brasileiras.
Parceria histórica com Aldir Blanc e a mudança para o Rio
Nascido em Ponte Nova, no interior de Minas Gerais, João Bosco iniciou sua trajetória musical em Ouro Preto, onde conciliava os estudos universitários com apresentações em bares locais. No início da década de 1970, o artista decidiu migrar para o Rio de Janeiro. Na capital fluminense, ele estabeleceu sua residência, constituiu família e construiu uma discografia robusta que ultrapassa a marca de 40 álbuns gravados ao longo de cinco décadas.
Foi no Rio de Janeiro que João Bosco consolidou sua célebre parceria com o letrista Aldir Blanc, uma das mais produtivas da história da MPB. Curiosamente, a cocriação entre os dois começou por correspondência, antes mesmo de se conhecerem pessoalmente. Juntos, eles compuseram clássicos eternos do cancioneiro nacional, como “O Mestre-Sala dos Mares”, “Bala com Bala”, “Kid Cavaquinho”, “De Frente pro Crime” e “Dois pra lá, dois pra cá”.
O violão como guia e a paixão declarada pelo Flamengo
Mesmo após décadas de sucesso e reconhecimento internacional, o compositor mantém o mesmo entusiasmo do início de sua caminhada profissional. Em um texto autobiográfico intitulado “Auto Retrato”, publicado em seu site oficial, João Bosco resume de forma poética sua relação quase visceral com a arte e com o instrumento que o consagrou: “Amamentado pelo meu violão, moro na estrada. Quem sabe de mim é o meu violão”.
