Um amplo relatório técnico emitido pelos principais centros de monitoramento meteorológico acendeu o sinal de alerta para o planejamento urbano, a defesa civil e o setor do agronegócio paranaense. Atualizações divulgadas nesta quinta-feira (9) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos, e consolidadas em uma nota técnica pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), confirmam a intensificação progressiva do fenômeno El Niño. O evento climático atuará com severidade atípica e influenciará as condições atmosféricas globais até o encerramento do verão de 2027.
Ápice do fenômeno e mapeamento regional
Os modelos matemáticos indicam que o El Niño se fortalecerá de maneira gradual ao longo de todo o inverno de 2026, com previsão de atingir o seu ápice operacional entre a primavera deste ano e o verão de 2026/2027 no Hemisfério Sul. Os dados estatísticos apontam uma probabilidade superior a 80% de o fenômeno registrar uma intensidade classificada de forte a muito forte. No Paraná, embora todas as macrorregiões tenham previsão de acumulados de água acima da média histórica, o impacto geográfico ocorrerá de forma descentralizada.
As regiões Oeste e Sudoeste do estado, com atenção especial para os municípios que integram a bacia hidrográfica do Rio Iguaçu, aparecem no topo da escala de vulnerabilidade, registrando as maiores discrepâncias entre as médias históricas e os volumes previstos. Na sequência, as áreas Noroeste e Central enfrentarão grandes acumulados hídricos, porém em patamares ligeiramente menores. Por outro lado, as cidades localizadas no Norte, os municípios dos Campos Gerais, o Litoral e a Região Metropolitana de Curitiba figuram na faixa que receberá o menor impacto relativo, mantendo-se ainda assim acima do padrão.
Temporais, granizo e riscos estruturais
A persistência dessa massa de umidade durante os meses de inverno reduzirá drasticamente os períodos de estiagem prolongada que são tradicionais nesta época do ano. Os meteorologistas do Simepar alertam que a energia térmica gerada pelo El Niño de forte intensidade favorece a criação de sistemas convectivos de mesoescala. Na prática, o estado enfrentará episódios de chuvas torrenciais concentradas em curtos intervalos de tempo, alta incidência de descargas atmosféricas (raios), fortes rajadas de vento e queda de granizo, elevando os riscos de enxurradas e movimentos de massa.
Para fechar o caso, o setor produtivo agrícola precisará desenhar estratégias de mitigação de danos de forma imediata. Se por um lado a umidade constante elimina os riscos de seca nas lavouras, por outro o excesso de água no solo comprometerá as janelas ideais de plantio e colheita do maquinário pesado. A saturação da terra eleva a incidência de doenças fúngicas e prejudica a qualidade final dos grãos, além de potencializar a perda de nutrientes por processos de erosão. O Simepar reforça que os termômetros do Pacífico Equatorial já operam 1,2°C acima da média, tornando o monitoramento diário do tempo uma ferramenta indispensável.
