Um gesto simples, mas repleto de significado, tem transformado os corredores e a rotina do Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba. Conhecido carinhosamente pelos corredores como o “enfermeiro barbeiro”, o cearense Jonatas de Sousa uniu a técnica da enfermagem ao cuidado humanizado para devolver a dignidade, a esperança e o sorriso a pacientes que enfrentam longos períodos de internação.
De uma emergência na pandemia a projeto reconhecido
A iniciativa nasceu em 2020, no auge da pandemia de Covid-19, quando Jonatas cuidava de um jovem gravemente enfermo e isolado da família. Ao notar o profundo sofrimento emocional do paciente, o enfermeiro usou uma tesoura comum para cortar o cabelo dele. A mudança de ânimo foi imediata e o gesto marcou tanto a vida daquele paciente que, anos depois, ele encontrou o enfermeiro nas redes sociais para agradecer.
Desde que chegou ao Hospital Universitário Cajuru, há cerca de nove meses, Jonatas incorporou a prática à sua rotina assistencial, estabelecendo a meta de alcançar 100 cortes de cabelo realizados até o final de 2026.
Mais do que estética, o enfermeiro destaca que a máquina de cortar cabelo funciona como uma ponte para o diálogo e a criação de laços de confiança com pacientes que enfrentam quadros graves, como a depressão: “O corte de cabelo nunca foi sobre estética. Muitas vezes, é apenas a porta de entrada para que o paciente se sinta acolhido, volte a conversar, recupere o ânimo para viver e permita ser cuidado de forma integral”, relata.
Rigor técnico, trabalho em equipe e premiação
Com o sucesso da iniciativa e o reconhecimento dos colegas de profissão, Jonatas ganhou de presente um kit profissional de barbearia. Todo o procedimento segue rigorosos protocolos de higiene, com instrumentos esterilizados individualmente, sendo oferecido principalmente a quem enfrenta internações prolongadas e mediante o consentimento do paciente.
O enfermeiro faz questão de ressaltar que o projeto é parte de um esforço coletivo: “Cada profissional envolvido durante a internação do paciente é fundamental para a sua recuperação. Técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, médicos e psicólogos compartilham diariamente essa responsabilidade”, pontua.
Pelo impacto positivo na recuperação emocional dos internados, o projeto foi recentemente homenageado pelo Projeto Servir, programa institucional que valoriza práticas de humanização no hospital. Para Jonatas, o reconhecimento é um combustível para continuar transformando vidas através de pequenos gestos.
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