Direto da redação
Entrou em vigor nesta quinta-feira (3) o embargo aplicado pela União Europeia sobre a importação de produtos de origem animal provenientes do Brasil. A restrição atinge diretamente o envio de carne bovina, suína, frango, mel, pescados e ovos para os 27 países membros do bloco europeu. A reversão da proibição depende do avanço das negociações diplomáticas e da comprovação do cumprimento das exigências sanitárias brasileiras.
O bloqueio foi anunciado após o órgão europeu excluir o Brasil da lista de países em conformidade com as regras de uso de antimicrobianos na pecuária. A legislação da comunidade europeia proíbe substâncias que estimulam o crescimento animal e restringe medicamentos de uso humano. A medida não decorre de contaminações detectadas na carne, mas da avaliação europeia de que os mecanismos de fiscalização brasileiros são insuficientes.
Auditoria internacional avalia cadeias produtivas no país para liberar exportações
Técnicos da Comissão Europeia cumprem agenda oficial no Brasil nesta semana para realizar auditorias nas cadeias de produção de frango e mel. A inspeção de campo tem previsão de encerramento na sexta-feira, mas o relatório final passará por análise técnica durante aproximadamente dois meses. Representantes do bloco afirmam que as vendas poderão ser retomadas assim que a conformidade dos processos de controle for plenamente atestada.
As carnes bovina e de frango figuram como os produtos mais impactados no volume financeiro do agronegócio nacional. Apesar do impacto comercial direto, as vendas para o mercado europeu representam uma fração reduzida do volume global das exportações brasileiras. Os demais países integrantes do Mercosul — Argentina, Paraguai e Uruguai — mantêm suas autorizações para exportar normalmente para os países da Europa.
Entidades do agronegócio veem protecionismo após acordo comercial do Mercosul
Lideranças do setor produtivo brasileiro classificaram a decisão como uma barreira protecionista ao comércio internacional. O anúncio da medida ocorreu logo após a entrada em vigor do acordo de livre comércio firmado entre a União Europeia e o Mercosul. O tratado vinha sofrendo intensa oposição de produtores rurais europeus, que temem a concorrência de alimentos com preços mais competitivos originados da América do Sul.
