Direto da redação
De acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (8), a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial, subiu de 5,09% para 5,11% para o fechamento deste ano. Esta é a décima terceira elevação consecutiva no indicador, consolidando um cenário em que a inflação deve estourar o limite superior da meta estipulada pelo governo federal.
Os desdobramentos da guerra no Oriente Médio vêm impactando diretamente as cotações internacionais do petróleo, o que encarece o preço dos combustíveis e gera um efeito cascata na cadeia de abastecimento nacional. Com a projeção atualizada em 5,11%, o índice supera o teto de tolerância da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% com limite máximo de 4,5%.
Meta de inflação e juros altos
Apesar do teto projetado para o ano estar sob risco, o acumulado dos últimos 12 meses medido até abril fechou em 4,39%, mantendo-se temporariamente dentro da margem de tolerância regulamentar. Para os anos seguintes, o mercado projeta uma desaceleração lenta: os analistas estimam o IPCA em 4,03% para 2027, recuando para 3,65% em 2028 e 3,5% em 2029.
Para tentar conter o avanço da inflação, o Banco Central utiliza a Taxa Selic como principal mecanismo de controle macroeconômico. Atualmente fixada em 14,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa básica de juros vinha experimentando cortes graduais de 0,25 ponto percentual devido à melhora dos índices no início do semestre.
Projeções de crescimento para o PIB e Câmbio
Em contrapartida à pressão nos preços, a estimativa do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) apresentou oscilação de 1,9% para 1,91% em 2026. A atividade econômica nacional demonstrou resiliência no primeiro trimestre do ano, registrando expansão de 1,1% em relação ao trimestre anterior. Para o médio prazo, em 2027, os analistas preveem uma alta estável de 1,7% no PIB, subindo para 2% nos anos de 2028 e 2029.
