Direto da redação
A onipresença da publicidade das plataformas digitais de apostas esportivas e jogos de azar online, conhecidas popularmente como bets, tem acendido um sinal de alerta máximo entre os defensores públicos de todo o país. O tema central foi amplamente debatido nesta terça-feira (7) durante uma reunião conjunta promovida pela Comissão de Direitos Humanos e pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal. Os profissionais que lidam diretamente com o atendimento jurídico da população de baixa renda demonstram profunda preocupação com o avanço avassalador do superendividamento.
Segundo os relatos apresentados no painel de discussões em Brasília, as peças publicitárias dessas empresas ocupam espaços massivos nos canais de televisão aberta, nos estádios de futebol e, principalmente, nas redes sociais acessadas por celulares. A defensora pública Luciana Peles da Cunha, coordenadora do Núcleo de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro, criticou duramente o teor dessas propagandas comerciais. A jurista pontuou que o marketing agressivo tenta convencer falsamente o trabalhador de que o jogo de azar representa uma oportunidade real de ganho de renda extra familiar.
Proposta de restrição comercial semelhante à do tabaco
Diante do cenário de vulnerabilidade social constatado nos escritórios de assistência, defensores e especialistas sugerem que as plataformas digitais sofram as mesmas restrições legais aplicadas à publicidade de cigarro no país. O defensor público Marcelo Dayrell Vivas, coordenador de saúde da Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos, sinalizou que o apelo midiático desenfreado elevou a procura por atendimentos médicos. Para o especialista, a rede pública de saúde mental não possui estruturas físicas devidamente preparadas para acolher essa nova demanda de jogadores crônicos.
Os representantes apontaram a urgência de criar alas de atendimento específicas e treinamentos direcionados nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de todo o território nacional. A necessidade de suporte especializado se estende também aos núcleos familiares de indivíduos que atentaram contra a própria vida após acumularem dívidas astronômicas nos aplicativos. A economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Ione Amorim, enfatizou que a atividade nociva já se encontra profundamente enraizada na rotina financeira das famílias.
Prejuízos bilionários afetam diretamente o comércio varejista
O Portal PRMAIS apurou que o volume financeiro movimentado por essas ferramentas eletrônicas atingiu patamares históricos no mercado nacional recente. Dados consolidados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que os brasileiros gastaram mais de R$ 30 bilhões por mês com as bets. Esse desvio de recursos essenciais comprometeu de forma severa a capacidade de pagamento do orçamento doméstico, jogando cerca de 270 mil famílias em uma situação de inadimplência crônica de longo prazo.
