A conta de luz ficou consideravelmente mais cara em todo o território do Estado a partir das primeiras horas desta quarta-feira, dia 24 de junho. O expressivo reajuste tarifário anual afeta diretamente os milhões de clientes atendidos pela Companhia Paranaense de Energia. A nova tabela de preços foi chancelada em reunião extraordinária da diretoria colegiada da Agência Nacional de Energia Elétrica, encerrando um ciclo de discussões técnicas que vinha se arrastando desde o primeiro trimestre do ano.
Divisão por classes de consumo e efeito médio
Para os consumidores residenciais comuns, o aumento estabelecido na tarifa foi fixado na marca exata de 20%. No segmento dos consumidores cativos classificados como baixa tensão — que engloba pequenos comércios locais, sistemas de iluminação pública urbana e propriedades rurais de menor porte —, o índice fixado ficou em 19,85%. Já as indústrias, shoppings, grandes complexos hospitalares e redes corporativas enquadradas na alta tensão suportarão uma alta de 21,87%.
A Aneel apontou que os fatores macroeconômicos que mais penalizaram o cálculo tarifário foram a elevação dos custos com infraestrutura de transmissão e a compra de energia de grandes usinas, além do peso dos encargos setoriais. O tema passou por escrutínio social através de uma audiência pública presencial realizada em Curitiba no mês de abril, além de ter sido o eixo central de debates da Consulta Pública nº 005/2026 promovida pelo governo federal.
Subsídio da energia solar e valor do kilowatt
Com a vigência da nova estrutura de cobrança, o consumidor residencial do Paraná passará a desembolsar, em média, o valor aproximado de R$ 0,76 por kilowatt-hora consumido. Os diretores da companhia energética estadual revelaram que o componente que mais impulsionou a inflação energética foi o custo do subsídio governamental destinado a financiar a chamada geração distribuída, realizada por meio de painéis fotovoltaicos.
Cerca de 16% do peso total do reajuste decorre diretamente dos incentivos fiscais garantidos aos proprietários de sistemas de energia solar. Esse benefício financeiro é diluído na Conta de Desenvolvimento Energético e custeado obrigatoriamente por todos os consumidores do sistema interligado, inclusive por famílias de baixa renda que não possuem placas solares. O encargo bilionário financia políticas públicas e subsídios federais em âmbito nacional, pressionando as tarifas de energia de norte a sul do país.
