Direto da redação
A Polícia Federal (PF) deve formalizar neste mês o indiciamento dos primeiros investigados no âmbito da Operação Sem Desconto, que combate fraudes bilionárias contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os indiciamentos vão integrar o primeiro relatório conclusivo do caso, que será encaminhado diretamente ao Supremo Tribunal Federal (STF). O documento deve detalhar a conduta criminosa de ao menos cinco investigados que cumprem prisão preventiva desde as fases iniciais da ostensiva policial.
Os suspeitos que serão incluídos nesta primeira lista são apontados pelos investigadores como os principais operadores financeiros da organização criminosa. Eles teriam atuado ativamente na lavagem de dinheiro e na ocultação de patrimônio obtido por meio de descontos ilegais aplicados diretamente nos contracheques de aposentados e pensionistas. As fraudes ocorriam através do desvio de mensalidades para associações de fachada que operavam sem a autorização das vítimas.
Presos preventivos na Papuda são tratados como prioridade
De acordo com informações fornecidas pelo diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, delegado Dennis Cali, os investigados que se encontram detidos são a prioridade máxima para a finalização deste relatório técnico. Os operadores estão em regime fechado há cerca de sete meses, o que exige celeridade por parte do braço policial. Pela legislação processual penal vigente, as prisões preventivas necessitam passar por uma revisão jurídica obrigatória a cada 90 dias.
Atualmente, a maior parte dos investigados capturados durante os desdobramentos da Operação Sem Desconto cumpre os mandados judiciais na mesma ala do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O pavilhão que abriga o grupo, inclusive, passou a ser apelidado informalmente por agentes e detentos como “Ala do INSS”. Defensores dos réus vêm acionando o STF consecutivamente com novos pedidos de liberdade para que respondam em regime aberto.
Rombo nos cofres públicos chega ao patamar de R$ 6,5 bilhões
O Portal PRMAIS apurou que as investigações da corporação revelaram que o esquema criminoso movimentou cifras astronômicas de forma fraudulenta no INSS, alcançando a marca histórica de pelo menos R$ 6,5 bilhões em desvios acumulados. A rede de corrupção desmantelada envolve um amplo leque de suspeitos de colarinho branco, incluindo empresários do setor de tecnologia, ex-dirigentes da autarquia federal, donos de entidades associativas e lideranças políticas expressivas.
