O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR), em Curitiba, registrou um aumento expressivo e preocupante nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) neste ano. Até o momento, a instituição de saúde contabilizou 53 casos graves da doença, contra 27 notificações identificadas no mesmo período do ano passado, representando um crescimento de quase 100%. A gerência de Atenção à Saúde do hospital confirmou que a alta acompanha o cenário crítico observado em toda a região Sul.
Circulação do vírus influenza e baixa cobertura vacinal
O avanço das internações foi impulsionado principalmente pela circulação do vírus influenza no ambiente urbano, potencializado pela chegada das temperaturas mais baixas e do inverno. A equipe médica do HC-UFPR ressaltou que a baixa cobertura vacinal na última campanha e o relaxamento de medidas básicas de prevenção foram determinantes para o pico atual. Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam que a capital paranaense permanece em nível de alerta e alto risco para a proliferação das síndromes.
O levantamento interno do hospital revelou que a maioria dos pacientes que evoluíram para quadros clínicos críticos não havia recebido a vacina contra a gripe. Das notificações de infecção registradas no sistema oficial, 52% dos pacientes estavam completamente desprotegidos contra o vírus. Entre os internados que tiveram agravamento das funções respiratórias, 31 necessitaram de transferência imediata para leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), demandando o uso de ventilação mecânica ou suporte ventilatório.
Mudança no perfil dos pacientes e saturação dos leitos
Embora o público infantil historicamente lidere as estatísticas de internação, o crescimento abrupto de casos graves entre adultos chamou a atenção dos infectologistas. Entre janeiro e junho deste ano, o hospital registrou 136 internamentos de adultos por complicações respiratórias, quase o dobro das 77 internações mapeadas em 2025. Nos quadros considerados de extrema gravidade, quase metade das pessoas afetadas pertencia à faixa etária entre 20 e 59 anos de idade.

A forte pressão assistencial elevou de forma drástica a ocupação hospitalar na capital, deixando sete dos oito leitos da UTI pediátrica do HC preenchidos por crianças com SRAG. O cenário de saturação levou a Prefeitura de Curitiba a decretar estágio de alerta para doenças respiratórias na rede municipal de saúde após três semanas consecutivas de alta. A Secretaria de Saúde informou que estuda medidas emergenciais para ampliar o atendimento, incluindo a possibilidade de suspensão de cirurgias eletivas.
