Uma operação das forças de segurança na região de fronteira resultou na desarticulação parcial de um grupo suspeito de cometer graves crimes patrimoniais e contra a dignidade sexual. Um cidadão brasileiro, de 56 anos de idade, foi preso por agentes policiais no bairro Acaray, localizado no município de Ciudad del Este, no Paraguai. O indivíduo é apontado pelas investigações iniciais como integrante ativo de uma organização criminosa estruturada. O bando utilizava perfis falsos e engenharia social em plataformas digitais para seduzir e capturar alvos vulneráveis.
Denúncia de cárcere privado e extorsão
Os trabalhos de polícia judiciária foram desencadeados logo após o registro da denúncia formal de um jovem de 23 anos. A vítima relatou aos investigadores que aceitou um convite feito por meio da rede social Facebook para ir até uma residência na região. Ao dar entrada no imóvel, o rapaz foi trancado e mantido em cárcere privado, contra a sua própria vontade, por um período de aproximadamente três horas. Durante o tempo em que permaneceu retido no cativeiro, ele sofreu abusos sexuais praticados por dois homens armados.
A violência praticada pelos criminosos também envolveu graves ameaças psicológicas para obter vantagens financeiras imediatas. Sob forte pressão e coação física, o jovem foi obrigado a acessar o aplicativo de seu banco e realizar uma transferência eletrônica. O valor transferido para as contas dos suspeitos somou o montante de 3.500.000 guaranis. Logo após a consolidação da transação bancária e a liberação da vítima, o núcleo de inteligência policial mapeou o endereço do cativeiro para organizar a batida tática.
Captura do morador e comparsas foragidos
Durante a incursão cirúrgica na residência monitorada, as equipes policiais prenderam em flagrante o brasileiro, identificado como o morador oficial do imóvel. Os relatórios apontam que a sua função principal no esquema era a cessão do espaço físico e a participação direta no processo de atração virtual das vítimas. Os agentes de segurança recolheram aparelhos celulares que passarão por perícia técnica para identificar a existência de outras pessoas afetadas pelo mesmo modus operandi na fronteira.
O cerco policial continua fechado na região para tentar localizar o restante da quadrilha. Outros quatro supostos integrantes do grupo identificados preliminarmente como travestis e mulheres foram flagrados por câmeras de monitoramento do perímetro e constam como foragidos da Justiça paraguaia. As autoridades alertam para os perigos de marcar encontros com perfis desconhecidos em salas de bate-papo sem a verificação prévia de segurança. O detido foi colocado à disposição do Ministério Público em Ciudad del Este para o andamento do processo penal.
