Direto da redação
O Ministério Público do Paraná, por meio do núcleo do Gaeco de Londrina, ofereceu denúncia criminal contra três pessoas investigadas na Operação Diarquia. A ação penal foi protocolada nesta quinta-feira e apura crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro relacionados ao jogo do bicho em Arapongas. Entre os alvos principais da ofensiva está um ex-presidente da Câmara de Vereadores do município paranaense.
A organização mantinha uma estrutura empresarial dividida em plantões mensais, onde os líderes se revezavam na administração e dividiam os lucros obtidos. Planilhas de contabilidade provam que a autointitulada Banca União controlava pelo menos 257 pontos de apostas na região. O faturamento da rede de jogos ilícitos gerava um lucro líquido anual estimado em cerca de 8 milhões de reais.
Criptomoedas off-line e propinas sustentavam esquema milionário
Para dissimular a origem do dinheiro, a cúpula utilizava subfaturamento de imóveis, empresas de fachada e familiares como testas de ferro. O Gaeco também descobriu a conversão do capital em ativos virtuais através de criptomoedas guardadas em carteiras físicas off-line. A prosperidade e a impunidade do grupo eram garantidas por uma rede de proteção estruturada mediante o pagamento sistemático de propinas a agentes públicos regionais.
Promotoria exige indenização de R$ 1 milhão por dano moral
O órgão pede ainda a fixação de uma indenização por danos morais coletivos no valor mínimo de um milhão de reais. O Gaeco requereu o perdimento definitivo de um vasto patrimônio amealhado ilegalmente pelos integrantes da organização criminosa paranaense. A lista inclui oito imóveis em Arapongas, além de apartamentos e vagas de garagem em Londrina e no litoral de Santa Catarina.
Os bens bloqueados pela Justiça também englobam direitos contratuais de 16 apartamentos de luxo, três aeronaves e dois automóveis de passeio. Durante o cumprimento dos mandados de busca, os agentes apreenderam quantias em espécie e ativos virtuais que totalizaram R$ 74.761,00. A Operação Diarquia segue com desdobramentos para identificar outros possíveis beneficiários do esquema de corrupção e lavagem de capitais.
