Direto da redação
Agentes federais cumpriram, no início da tarde desta segunda-feira (25), dois mandados de busca e apreensão no município de Santa Helena, na região de fronteira. A ofensiva visa desarticular uma rede criminosa voltada ao tráfico internacional de mulheres para fins de exploração sexual, redução à condição análoga à de escravidão, manutenção de casa de prostituição, rufianismo e associação criminosa.
O inquérito policial foi instaurado no dia 6 de maio de 2026, após um alerta estratégico emitido pelo Comando Tripartite — mecanismo de cooperação entre as forças de segurança do Brasil, Paraguai e Argentina. A denúncia apontava que cidadãs estrangeiras estavam sendo mantidas em situação de privação de liberdade na cidade paranaense. Na diligência inicial, as equipes da PF localizaram dez mulheres de nacionalidade paraguaia.
Falsas promessas, ameaças e servidão por dívidas
O monitoramento da Polícia Federal revelou um roteiro cruel de aliciamento e controle psicológico utilizado pelos líderes do esquema, que se aproveitavam da extrema vulnerabilidade socioeconômica de mulheres no país vizinho.
As mulheres eram atraídas ao Brasil sob falsas promessas de empregos dignos e salários atrativos no comércio local. Ao cruzarem a fronteira e desembarcarem no estabelecimento em Santa Helena, as vítimas tinham o direito de ir e vir sumariamente cassado pela gerência do local. Os criminosos confiscavam os documentos das paraguaias e impunham cobranças ilegais de hospedagem e transporte.
Busca por provas e penas que podem chegar a 28 anos
As dez mulheres resgatadas estão recebendo apoio psicossocial e proteção de órgãos humanitários para prestar depoimentos em ambiente seguro. Caso os envolvidos sejam denunciados pelo Ministério Público Federal e condenados judicialmente, as penas somadas para os crimes de tráfico de pessoas, rufianismo e escravidão moderna podem variar de 10 a 28 anos de reclusão.
