Com informações da Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu publicamente, nesta quarta-feira (8), a proibição das apostas eletrônicas de quota fixa no país. Em entrevista ao canal ICL Notícias, o chefe do Executivo afirmou que, se dependesse exclusivamente de sua vontade, as “bets” seriam fechadas para frear o endividamento desenfreado da população. Lula destacou que o vício em jogos tornou-se uma questão de saúde pública, relatando casos drásticos de famílias que perderam imóveis e veículos em promessas de ganho rápido via celular.
A preocupação presidencial é embasada por números alarmantes do Banco Central: apenas no primeiro trimestre de 2025, os brasileiros destinaram cerca de R$ 30 bilhões por mês às plataformas de apostas. Para Lula, a tecnologia derrubou as barreiras que antes protegiam os lares, comparando a situação atual à proibição histórica de cassinos físicos. Ele alertou que crianças de 10 anos hoje têm acesso fácil a “cassinos digitais” através dos smartphones dos pais, alimentando um ciclo de perdas financeiras desnecessárias.
Apesar da postura crítica, o presidente reconheceu que a extinção do setor enfrenta barreiras complexas no Congresso Nacional, devido à forte influência política e ao financiamento de partidos por empresas do ramo. Lula também rebateu o argumento de que o futebol brasileiro entraria em colapso sem os patrocínios dessas casas de apostas, lembrando que o esporte prosperou por mais de um século sem esses recursos. O debate agora foca em como conciliar a liberdade econômica com a proteção social e a saúde mental dos cidadãos.
Há, entretanto, um paradoxo fiscal na pauta: enquanto o presidente critica o setor, a arrecadação federal com a tributação dessas apostas disparou. Segundo a Receita Federal, o primeiro bimestre de 2026 gerou R$ 2,5 bilhões em impostos sobre jogos online, um crescimento de 236% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse aumento significativo de receita ocorre após a regulamentação feita pelo próprio governo em 2023, que criou a Secretaria de Prêmios e Apostas para monitorar e tributar a atividade.
