O projeto reúne a empresa norte-americana Crusoe (especializada em computação e cloud computing) e a desenvolvedora paraguaia Araico. A iniciativa visa capturar a elevada oferta de energia limpa de Itaipu para abastecer servidores de altíssimo desempenho voltados ao processamento de modelos de IA de empresas americanas e globais.
Como funciona o projeto e o potencial de energia
Pelo Tratado de Itaipu, a energia gerada pela usina é dividida igualmente (50% para o Brasil e 50% para o Paraguai). Como o consumo interno do Paraguai é menor do que metade de sua cota constitucional, historicamente o país vende ao Brasil o excedente energético que não utiliza.
O novo acordo prevê que a infraestrutura seja erguida adjacente à subestação da usina em solo paraguaio, com a primeira fase operando em 2027 e capacidade de expansão para até 280 MW de potência.
Especialistas do setor elétrico brasileiro apontam que, à medida que o Paraguai consome sua própria cota energética para atração de indústrias de ponta e data centers, a quantidade de excedente revendido ao mercado brasileiro tende a diminuir de forma gradual nos próximos anos.
Soberania binacional e posicionamento de Itaipu
A direção da Itaipu Binacional esclareceu que a negociação e a visita do vice-Secretário de Estado norte-americano, Christopher Landau, ocorreram exclusivamente na margem paraguaia. A usina pontuou que cada país sócio detém total soberania para destinar a sua parcela de energia ao desenvolvimento de sua própria indústria ou atração de investimentos privados regionais.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, celebrou o acordo como um marco de inovação, destacando que a estratégia do país é transformar seus recursos naturais e energéticos em polos de geração de empregos de alta tecnologia e atração de capital internacional.
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