Quando pensamos em grandes potências queijeiras, o imaginário popular costuma nos transportar imediatamente para os vales da Europa ou para as tradicionais fazendas de Minas Gerais. No entanto, o mapa da alta gastronomia mundial acabou de ganhar um novo e incontornável epicentro: o Paraná.
Nos últimos seis anos, a produção queijeira paranaense acumulou impressionantes 667 medalhas em premiações nacionais e internacionais. Mais do que números expressivos, essa trajetória coroa uma verdadeira revolução no campo, unindo o saber tradicional de famílias produtoras à rigorosa excelência técnica do manejo à maturação.
O ápice dessa jornada tem brilhado nos palcos mais disputados do planeta, como o prestigiado World Cheese Awards popularmente conhecido como o “Oscar dos Queijos”. Na Suíça, competindo com mais de 5 mil produtos de mais de 50 países, queijos desenvolvidos no interior paranaense — como o aclamado Passionata (de Toledo, que chegou a ser coroado entre os dez melhores do mundo), o Abaporu e o Garoa Tropical mostraram que o terroir paranaense não deve nada a nenhuma região tradicional do Velho Mundo.
Da porteira ao pódio: o segredo está na origem
O que explica esse salto de qualidade e reconhecimento internacional? A resposta está na união entre o suor do produtor rural e o suporte técnico especializado. Boa parte dessas conquistas nasce de programas conduzidos por órgãos como o IDR-Paraná e a Adapar, que acompanham a família desde o berço do negócio: do manejo rigoroso dos rebanhos e da qualidade do leite até a regularização sanitária e o design do produto final.
Histórias como a da Queijaria Vovó Zaine, em Tomazina, ilustram perfeitamente essa transformação. Com suporte técnico desde a estruturação física até o manejo de pastagem, a família passou a produzir queijos premiados nacionalmente e hoje vive exclusivamente da atividade, recebendo visitantes de todo o estado.
Não se trata apenas de colecionar medalhas, mas de transformar vidas e agregar valor à matéria-prima. O rigor com as normas sanitárias — como a expansão dos cadastros no SUSAF-PR — também abriu portas mercadológicas fundamentais, permitindo que pequenos produtores triplicassem o valor de seus produtos e alçassem novos voos comerciais com total segurança para o consumidor.
O Paraná na mesa e no topo
O reflexo dessa excelência pode ser visto nas prateleiras e nos grandes concursos de 2026. Apenas neste ano, foram 272 medalhas conquistadas em competições nacionais e outras 26 premiações expressivas no Mundial do Queijo do Brasil.
Para quem aprecia a boa gastronomia, o momento não poderia ser mais propício. Os queijos paranaenses deixaram de ser uma promessa regional para se firmarem como produtos de classe mundial, repletos de identidade, notas sensoriais complexas e muita história para contar.
