Um estudo científico publicado em 8 de outubro na revista PLOS ONE trouxe descobertas animadoras no campo da oncologia. Pesquisadores identificaram que o mebendazol, um medicamento amplamente utilizado para tratar infecções causadas por vermes parasitas, pode auxiliar no combate a células de câncer de pulmão de células não pequenas que já haviam desenvolvido resistência a tratamentos convencionais.
Como age a combinação
O gefitinibe atua bloqueando a atividade da proteína EGFR, que transmite sinais para a multiplicação celular. No entanto, com o tempo de tratamento, alguns tumores desenvolvem mutações e mecanismos de escape para driblar a ação do medicamento, tornando-se resistentes.
Por outro lado, o mebendazol atua interferindo nos microtúbulos, estruturas essenciais para a divisão celular e o transporte interno de materiais nas células. A hipótese testada pelos cientistas foi a de que associar os dois compostos permitiria atingir o tumor por vias diferentes: bloqueando os sinais de crescimento e prejudicando a divisão celular, o que dificultaria a sobrevivência do câncer.
“A mensagem empolgante é que a resistência aos medicamentos pode não tornar as células cancerígenas invulneráveis. Ela pode deixá-las com pontos fracos que podemos atacar”, destacou o pesquisador de farmacologia Shakta Mani Satyam, da Universidade de Ciências Médicas e da Saúde de RAK (Emirados Árabes Unidos), em entrevista ao portal ScienceAlert.
Fase pré-clínica e cautela
Apesar dos resultados promissores, os especialistas reforçam que o estudo ainda está em fase pré-clínica. Isso significa que os testes foram conduzidos em culturas de células e animais, e ainda não há evidências científicas de eficácia ou segurança para o uso dessa combinação em pacientes humanos. Novas etapas de pesquisa e ensaios clínicos serão necessários para avaliar se a estratégia poderá ser validada no futuro para o tratamento oncológico.
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