A operação da Polícia Federal que mirou o deputado estadual e candidato à reeleição Mauro Moraes (PL) na véspera do primeiro turno das Eleições 2026 continua desenterrando graves polêmicas nos bastidores da política paranaense. Além do cerco policial decorrente de uma movimentação suspeita de R$ 300 mil em espécie na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), o histórico financeiro do parlamentar e uma crise generalizada dentro do próprio Partido Liberal (PL) vieram à tona.
Crescimento patrimonial de 602% e o “sumiço” do dinheiro em espécie
Entre os bens acumulados ao longo dos anos estão um veículo Volvo XC60, um apartamento em uma das regiões mais valorizadas de Curitiba (perto da Praça do Japão), terreno na praia e imóveis comerciais.
Contudo, a declaração de reservas financeiras em espécie gerou questionamentos. Após a abordagem da PF, Moraes tentou se justificar alegando que mantém o hábito de guardar dinheiro vivo devido ao trauma do confisco do Plano Collor na década de 1990. No entanto, o histórico de suas declarações mostra oscilações curiosas:
- 2006: R$ 150 mil em espécie
- 2010: R$ 140 mil em espécie
- 2014 a 2018: Nenhum valor declarado em espécie (um intervalo de oito anos sem reservas em dinheiro vivo)
- 2022: R$ 40 mil em espécie
- 2026: Retorno dos R$ 150 mil em espécie
Fogo amigo: Racha no PL por fundo eleitoral
O desgaste do grupo político liderado por Sergio Moro no Paraná é agravado por uma rebelião interna no PL a poucos dias das urnas. Candidatos a deputado estadual romperam o silêncio e vieram a público expor um racha na distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral.
O ex-prefeito de Assaí e candidato a deputado estadual Luiz Mestiço publicou duras críticas contra o presidente estadual do partido e candidato ao Senado, Filipe Barros, acusando-o de descumprir acordos financeiros. Segundo Mestiço, parlamentares com mandato tinham promessa de receber R$ 1 milhão para suas campanhas até 30 de setembro, mas acabaram recebendo valores drasticamente inferiores como o próprio Mauro Moraes (R$ 274 mil) e outros nomes da bancada, que ganharam cerca de R$ 410 mil.
A insatisfação ganhou ainda mais força ao comparar os repasses com candidaturas femininas. A deputada estadual Flávia Francischini recebeu apenas R$ 200 mil, enquanto outras candidatas sem mandato (como a Delegada Tathiana Guzella e Jessicão) receberam R$ 900 mil, e a deputada federal por São Paulo Rosângela Moro abocanhou R$ 2,6 milhões do fundo do partido no Paraná.
Mestiço e outros integrantes da legenda acusam Filipe Barros de concentrar verbas bilionárias em sua própria campanha ao Senado em detrimento dos demais aliados, coroando uma reta final de campanha marcada por turbulências jurídicas e políticas no estado.
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