O monitoramento das agências de meteorologia e os principais institutos de climatologia do país acenderam um sinal de alerta de segurança nacional para os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Durante a edição do programa televisivo Jornal Hoje, da Rede Globo, a apresentadora e especialista em previsão do tempo Jacque Brazil adiantou que o Sul do Brasil enfrentará, nas próximas 72 horas, um cenário de instabilidade atmosférica extrema, caracterizado por tempestades, vendavais severos e o risco isolado, porém real, de formação de tornados.
Choque térmico e risco de fenômenos severos
A dinâmica climática que desenha esse panorama severo está diretamente associada ao avanço rápido de uma frente fria intensa, que entra em choque com uma massa de ar quente e úmido que estava estacionada sobre o interior do continente. Essa forte divergência de ventos em diferentes altitudes fenômeno conhecido na física meteorológica como cisalhamento é o combustível principal para a criação de supercélulas de tempestade, que carregam potencial para granizo de tamanho médio, descargas elétricas frequentes e ventos cortantes de alta velocidade.
Embora tornados sejam considerados eventos raros na maior parte do território nacional, o Sul do Brasil é geologicamente classificado como a segunda região do planeta com maior propensão a esse tipo de fenômeno (atrás apenas do “corredor de tornados” dos Estados Unidos). O relevo e a alta umidade facilitam que as nuvens do tipo Cumulonimbus rotacionem de forma violenta. Por conta disso, os sistemas locais da Defesa Civil já iniciaram o disparo de mensagens de texto via celular com alertas táticos e preventivos para as áreas de encosta e perímetros urbanos propensos a alagamentos rápidos.
Orientações e prevenção para Curitiba e interior
O alerta de curto prazo abrange não apenas as áreas litorâneas, mas também os planaltos do Paraná e o Meio-Oeste catarinense. Em Curitiba e Região Metropolitana, a orientação das autoridades de segurança civil é para que, durante os períodos de chuva intensa, a população evite se abrigar debaixo de árvores de grande porte, torres de transmissão ou próximas a outdoors metálicos, devido ao perigo de queda e descargas elétricas. Motoristas que trafegam pelas rodovias de serra devem redobrar o cuidado e parar os veículos em postos de serviço se a visibilidade estiver prejudicada.
